Profanação

Livres dos Fardos Religiosos

 

Algumas pessoas gostam de fazer piadas envolvendo o nome de Deus. Já vi até pastores fazendo isso. Não tem graça nenhuma. Isso é profanar o nome de Deus.

 

Profano é tudo aquilo que não pertence à religião. Profanar é retirar, do meio religioso para o meio profano, qualquer coisa sagrada. É usar coisas, lugares ou pessoas religiosas para fins não religiosos. É também introduzir, numa religião, alguma coisa contrária a ela. É ainda tratar as coisas, os lugares ou as pessoas sagradas de forma desrespeitosa ou irreverente.  Profanação é, pois, o ato de profanar. É também chamada de sacrilégio.[1], [2]

 

 

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Descrição: Cena da destruição do templo de Salomão. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

No século VI a.C., o exercito do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém. Retiraram as colunas, as bases, um tanque de cobre e vários objetos sagrados que estavam no Templo do Senhor e levaram embora. Eles profanaram o templo, retirando dele diversos elementos sagrados. (II Reis 25.13-15.) [3]

 

Alguns anos mais tarde, o rei Belsazar, outro rei da Babilônia, deu um grande banquete. “Depois de beber bastante, mandou que trouxessem os copos de ouro e de prata que Nabucodonosor, o seu pai, havia tirado do Templo de Jerusalém. Belsazar queria os copos para que ele, os seus convidados de honra, as suas mulheres e as suas concubinas os usassem para beber vinho. Trouxeram os copos de ouro e todos começaram a beber vinho neles e a louvar os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.” (Daniel 5.2-4, NTLH.) Os vasos do templo dos judeus foram profanados mais uma vez ao serem usados numa bebedeira. [4]

 

No templo de Jerusalém, de acordo com a lei de Moisés, os judeus sacrificavam bois, ovelhas, cabras e pombas. Animais considerados impuros, como o porco, jamais podiam ser oferecidos. [5] Mas o rei Antíoco Epifânio, quando perseguia os judeus no século II a.C., foi ao templo de Jerusalém, entrou no lugar mais santo e sacrificou um porco sobre o altar. Profanou o templo introduzindo nele um animal que a os judeus não usavam em suas cerimônias. [6], [7]

 

Outro dia, Jesus foi ao templo de Jerusalém. O que encontrou? Ele encontrou pessoas vendendo bois, ovelhas e pombos e também os que ficavam sentados trocando dinheiro para o povo. Aquele lugar de adoração a Deus estava sendo profanado com práticas comerciais. (João 2.13-14.) [8]

 

Existem pessoas que profanam coisas sagradas de outras maneiras. Destroem objetos sagrados, picham templos, zombam de doutrinas, quebram esculturas... Não somos obrigados a aceitar nada que pertence às outras religiões diferentes da nossa. No entanto, não temos o direito de profanar nada das demais crenças religiosas.

 

Mao-Tsé-Tung não era obrigado a aceitar os ensinos de Confúcio, mas não precisa ter profanado o seu túmulo. [9]

 

Muitos adeptos do islã ficaram aborrecidos ao ver charges sobre Maomé. Desenhos ou pinturas dessa natureza têm profanado o profeta do islã. [10] Ninguém deve concordar jamais com os atos terroristas de alguns grupos radicais islâmicos. Mas não precisamos colocar mais lenha na fogueira, incendiando mais o ódio, ao tocar no homem mais sagrado dessa religião.

 

Outro dia, vi uma figura de um papa com chifres. Ninguém é obrigado a ser católico tendo o papa como seu líder religioso. Mas também não precisa fazer coisas desse tipo.

 

Certa pessoa, zombeteiramente, chutou uma oferenda que uma religião afro-brasileira havia consagrado a algum espírito. Todos têm o direito de não praticar rituais dessa natureza. Entretanto, não é necessário que ninguém demonstre o seu repúdio dessa forma.

 

Aquela cena de um pastor adúltero que, no momento do coito, mostrou uma calcinha da mulher sendo colocada sobre a Bíblia podia muito bem ter sido evitada. [11]

 

O cristianismo foi bastante profanado. Muitos ensinos de Jesus foram deixados de lado. Muitas coisas foram introduzidas. E a igreja tem sido usada para coisas que não têm nada a ver com o evangelho genuíno.

 

Alguns líderes da Igreja têm profanado o seu ministério sagrado e a Igreja, transformando tudo num palco eleitoreiro. Não é errado o cristão participar da política. Mas alguns líderes aproveitam a influência que têm no meio religioso para se elegerem para algum cargo político. Se uma pessoa tem ministério religioso e ganha o seu salário para isso, ela tem a obrigação de exercer a sua função para a qual foi consagrado. Ela não pode misturar uma coisa com a outra. Não pode usar a religião para galgar, com o apoio dos adeptos da sua religião ou igreja, qualquer vantagem.

 

A Igreja tem a missão de pregar o evangelho. Mas muitos estão anunciando um evangelho, a denominação religiosa, o nome do pregador, produtos e serviços. O espaço religioso está sendo usado para vender coisas. Algumas religiões desse século se transformaram em shopping centers. Já venderam de tudo nas igrejas: relíquias, indulgências e sacramentos. A profanação tem se tornado tão intensa que hoje, direta ou indiretamente, já se vende um monte de coisas profanas: TV por assinatura, cartões de crédito, perfumes ungidos, passagens de avião, roteiros turísticos, cruzeiros, roupas e muitas outras coisas. As congregações estão sendo tratadas como clientelas.

 

Neste mundo de milhares de crenças, alguns consagram coisas e pessoas, e outros desconsagram.

 

Tudo o que é sagrado tem que ser respeitado. Não profane nenhuma religião: nem a sua e nem a dos outros.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2014. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br