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Danos religiosos

Livres dos Fardos Religiosos

 

A religião deveria ser um ambiente de paz e amor. No entanto, tem sido também um instrumento de ódio, amargura e terror, causando muitos danos às pessoas, aos animais, ao patrimônio e ao meio ambiente.

 

 

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Descrição: Jarrete. Data: setembro/2013. Autor: Maralvestos. Derivada da obra de Johanna Rautio de 11/03/2008. Licença CC BY-SA.

Zoabá era um pequeno reino situado entre Damasco e o rio Eufrates, na região da Síria. [1] Um dia, o rei Davi guerreou contra o rei Hadadezer desse reino. E o que ele fez?  Prendeu mil e setecentos cavaleiros e vinte mil dos seus soldados da infantaria. (II Samuel 8.3-4a.) [2] Mas, de acordo com a lei de Moisés, o rei não deveria ter muitos cavalos no seu exército. (Deuteronômio 15.16.) [3] Então, o que poderia fazer com tantos cavalos? Veja o que foi feito: ele deixou alguns cavalos que dessem para puxar cem carros e jarretou o resto. (II Samuel 8.4b.) [4] Jarretou? O que significa isso? Jarretar quer dizer, cortar os jarretes. [5] Jarrete é a parte da perna atrás da articulação do joelho. [6] Isso quer dizer que Davi aleijou os pobres cavalos cortando suas penas nesse lugar. Simples, não foi? Para ele, sim, todavia, para os equinos era o início de longas horas de dor, sobre a areia quente, até a morte chegar. Imagine centenas de cavalos caídos, vivos, aleijados, sofrendo dor, sem poder caminhar, morrendo pouco a pouco de fome e de sede... (Animal!) Mas fazer o quê? Guerrear era ordem de Moisés. Não ter muitos cavalos também era outro preceito. Então, para Davi, essa foi a solução. Qualquer religioso fanático, sem amor aos animais faria isso e diria: “Que se danem os bichos!”

 

Não siga esse mau exemplo do piedoso rei Davi, pois os órgãos que procuram proteger os animais poderão atuar no seu encalço.

 

Dano religioso é qualquer mal causado a outra pessoa, ou ao patrimônio, ou aos animais, ou ao meio ambiente, usando a religião. Tem sido muito grande o número de danos desse tipo. Até mesmo na Bíblia Sagrada temos muitos casos, onde o nome de Deus foi usado para causar diversos tipos males.

 

Certa vez, quando os hebreus caminhavam pelo deserto, vindo do Egito, rumo à terra de Canaã, os moabitas e os midianitas, unidos, fizeram planos contra eles. Num lugar chamado Sitim ou Vale das Acácias, em Moabe, as mulheres do povo moabita e midianitas seduziram os hebreus, e eles tiveram relações com elas e adoraram os seus deuses. Foi uma festa religiosa com banquete, idolatria e sexo. (Números 22:4-7; 25.1-2.) [7]

 

Algum tempo depois, em nome de Deus, Moisés convocou o seu povo para atacar os midianitas para se vingarem deles por causa do que acontecera. (Números 31.1-3.) [8] Assim, doze mil guerreiros partiram contra esse povo. Eles mataram todos os homens e levaram presas as mulheres e as crianças desse povo. Além disso, saquearam suas ovelhas e cabras, o seu gado e todos os seus bens. Também incendiaram todas as cidades e todos os acampamentos onde havia midianitas morando. Depois da batalha, os guerreiros hebreus levaram todos os prisioneiros, os animais e tudo mais que haviam tomado dos midianitas e apresentaram tudo a Moisés. (Números 31.4-9.) [9] Para trás, restaram muitos mortos estirados pelo chão, terras sujas de sangue, brasas, fumaça, agonia, gemidos, dor...

 

Moisés, olhando tudo aquilo, ficou zangado, pois eles deixaram vivas todas as mulheres. Mas por que ele não queria todas aquelas mulheres. Porque muitas não eram virgens. E, segundo ele, foram as mulheres que haviam feitos os hebreus pecarem algum tempo atrás, naquela festa de idolatria e sexo. Mas será que todas as mulheres tinham feitos os hebreus pecarem? Naquela época, não era comum olhar certos detalhes e, então, a ordem de Moisés foi: “Agora matem todos os meninos e todas as mulheres que não forem virgens. Mas deixem viver todas as meninas e as moças que forem virgens; elas pertencem a vocês.” (Números 31.17-18, NTLH.) [10] Então foram assassinadas as mulheres que não tinham mais o seu precioso hímen. (Qual será o método utilizado para saber quem era virgem?) E os ingênuos meninos também tiveram que ser trucidados. E assim aconteceu mais uma chacina, onde tombaram mulheres e meninos inocentes. Imagine a cena forte! Mães aflitas vendo os seus meninos serem trucidados, enquanto mais uma espada vem em sua direção... Lindas meninas chorando, vendo as suas mães morrerem transpassadas pelos golpes frios das espadas hebréias...

 

Em seguida, foi feito uma lista dos despojos. “Esta é a lista do que foi tomado pelos soldados, sem contar o que eles pegaram para si mesmos: seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas e cabras, setenta e dois mil bois e vacas, sessenta e um mil jumentos e trinta e duas mil pessoas.” (Números 31.32-35, NTLH.) [11] As trinta e duas mil pessoas eram mulheres virgens. Tudo isso, segundo a ordem de Moisés, dada em nome de Deus, teve que ser dividido em duas partes iguais: uma para os soldados e a outra para o restante do povo. Da parte dos soldados, de cada grupo de quinhentos animais, foi separado um para Deus. E, de cada lote de quinhentas virgens, também foi separada uma para Deus. Da parte do povo, de cada grupo de cinquenta animais, foi separado um para os levitas, que cuidavam dos trabalhos religiosos na tenda sagrada. E, de cada lote de cinquenta virgens, foi separada uma para os levitas. (Números 31.25-47.) [12]

 

Resumo de Números 31.25-47

Para os soldados

Dividido por 500

Para Deus

Para o povo

Dividido por 50

Para os levitas

337.500 ovelhas e cabras

675 ovelhas e cabras

337.500 ovelhas e cabras

6.750 ovelhas e cabras

36.000 bois e vacas

72 bois e vacas

36.000 bois e vacas

720 bois e vacas

30.500 jumentos

61 jumentos

30.500 jumentos

610 jumentos

16.000 virgens

32 virgens

16.000 virgens

320 virgens

 

 

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Descrição: Jovem de Ciociara. Data: 1877. Autor: Leonardo Bazzaro (1853–1937). Fonte. Licença CC BY-SA.

Além de tudo isso, os oficiais ainda saquearam cento e noventa e um quilos de ouro em forma de correntinhas, pulseiras, anéis, brincos, colares e outros objetos. E todo esse ouro foi oferecido para Deus na tenda sagrada. Ofertaram para Deus o que eles roubaram dos midianitas. (Números 31.48-54.) [13]

 

As trinta e duas virgens ficaram para o sacerdote ou elas foram queimadas em sacrifício? Não sabemos, mas, de qualquer forma, o destino delas foi horrível juntamente com as outras 31.968 fêmeas que perderam sua virgindade nas garras dos levitas e dos demais homens piedosos seguidores de uma religião macabra.

 

Será que todos esses danos causados aos midianitas foram justos, uma vez que os hebreus que caíram na idolatria e no sexo com as mulheres daquele povo foram por livre e espontânea vontade? Foi justo a morte de meninos? Foi justo raptarem tantas virgens para servirem como objetos sexuais deles?

 

Se a jovem da figura fosse uma midianita, ela seria uma das virgens poupadas da espada, mas se tornaria mulher de algum hebreu selvagem ou seria oferecida a Jeová. Você deve ter lido friamente esse episódio bíblico, porque nenhuma daquelas mulheres era você. Nenhuma delas era a sua irmã ou filha. Mas olhe nos olhos dessa jovem e imagine se ela fosse sua filha, sendo capturada por um bando de homens armados... Imagine a dor daquelas trinta e duas mil virgens separadas de suas famílias, nas garras dos hebreus, após verem os seus familiares mortos barbaramente...

 

Não siga essa idéia de Moisés, senão será julgado como um monstro ou um maníaco sexual.

 

Se os criadores de gado de hoje fossem seguir as leis do Antigo Testamento, eles não precisariam se preocupar com nenhuma doença que pudesse causar a morte dos seus animais, pois poderiam vendê-los para os estrangeiros. Os mais “bonzinhos” poderiam doá-los para pessoas de outros países. De acordo com a lei de Moisés, um animal encontrado morto não podia ser comido. A sua morte poderia ter sido causada por alguma doença. Mas o interessante é que eles poderiam dar o animal morto aos estrangeiros e até mesmo vendê-lo. “Não comam qualquer animal que tenha tido morte natural. Vocês podem dar o animal aos estrangeiros que moram nas cidades de vocês ou podem vendê-lo a outros estrangeiros. Mas vocês não o podem comer, pois são o povo escolhido pelo SENHOR, nosso Deus.” (Deuteronômio 14.21, NTLH.) [14] Será que isso não significa causar problemas às outras pessoas? Esse mandamento é de Deus ou do homem?

 

Não siga esse mandamento, senão será pego por algum órgão responsável pela saúde pública.

 

No livro bíblico dos Juízes, encontramos o caso de Jefté. Esse homem fez um voto, dizendo que se Deus o ajudasse a vencer os amonitas, ele queimaria, em sacrifício, a primeira criatura que saísse da sua casa para lhe encontrar quando estivesse retornando da guerra. Jefté foi guerrear contra os amonitas e venceu. Quando voltou para sua casa, a sua filha única, dançando e tocando pandeiro, saiu ao seu encontro. Ficou desesperado, mas depois de dois meses, fez o que havia prometido a Deus. (Juízes 11.30-39.) [15] Ele fez um voto ao Senhor sem se importar com os danos que causaria a qualquer pessoa da sua família. A sua única filha pagou caro a crendice de um pai fanático. Ela viera dançando ao seu encontro e “dançou”...

 

Não imite a fé desse religioso juiz de Israel para não ser julgado como um criminoso fanático pela sua religião.

 

Em Israel, na época do reinado de Davi, houve um período de três anos seguidos de fome. Esse rei acabou acreditando que a causa seria os males que seu antecessor, o rei Saul, havia cometido contra os gibeonitas. Então achou que resolveria o problema se sete pessoas da família de Saul fossem enforcadas num monte. E assim sucedeu. Que dano contra a vida dessas pessoas!

 

Rispa, a mãe de dois deles, ficou no monte, perto dos cadáveres pendurados, sobre a rocha, em cima de um cilício, um pano grosseiro, feito com pêlo de cabra, usado em ocasiões de profunda tristeza. Ela não deixou nenhum animal devorar os corpos. Ficou ali, vários dias, mergulhada numa profunda tristeza, perto dos seus filhos mortos, apodrecendo e cheirando mal, sofrendo os males causados pela mente supersticiosa do famoso rei Davi, que tentara consertar um mal com outro mal. (II Samuel 21.1-14.) [16] Que dano familiar! Que dano psicológico!

 

Não siga a fé de Davi, caso contrário, poderá ser julgado por cometer uma chacina em nome da sua religião.

 

“Davi e os seus homens costumavam atacar os gesuritas, os girzitas e os amalequitas que viviam naquela região há muito tempo. Atacavam a terra deles desde Sur até o Egito. Matavam todos os homens e mulheres e tomavam as ovelhas, o gado, os jumentos, os camelos e também as roupas. Davi matava todos, homens e mulheres, para que ninguém voltasse a Gate e contasse o que ele e os seus homens faziam. Davi fez isso todo o tempo em que morou entre os filisteus.” (I Samuel 27.8-9; 11, NTLH.) [17] Ele roubou e assassinou um grande número de pessoas. Alguns devem dizer: “Mas eles eram os gesuritas, os girzitas e os amalequitas, pessoas que não seguiam o Deus único.” Louco! Então, por acaso, eu posso massacrar e roubar as pessoas que não sejam da minha religião?

 

Não seja valente como o rei Davi, pois poderá ser penalizado pelos crimes de formação de quadrilha e latrocínio.

 

Algumas práticas, doutrinas e costumes religiosos também causam danos. Por exemplo: o uso de bebidas, drogas e tabaco, usados em certas rituais, causam danos à saúde dos participantes. Certos costumes impostos às mulheres, impedindo-as de estudar, trabalhar; doutrinas que colocam a mulher numa posição inferior são coisas danosas.

 

Danos religiosos causados em nome de Deus são encontrados em toda história. Mas Jesus quis acabar com isso. Ele pregou o respeito, a paz e o amor ao próximo. Mas a Igreja se desviou do verdadeiro sentido do evangelho. A Inquisição, as cruzadas, os pogroms (perseguições aos judeus), as explorações, o oportunismo e muitas outras coisas foram praticadas, causando muitos males.

 

Ainda hoje, muitos pregadores, usando de misticismos, mentiras e outros meios, estão escravizando pessoas, além de explorá-las de várias formas. Esse é o dano religioso comum dos dias modernos.

 

Precisamos acordar. Temos que entender que religião com esse tipo de atitude não vale a pena. Tem muita gente que fica pasmada vendo os crimes da atualidade. Mas finge não ver os terrores da sua religião. Muitos estão exaltando pessoas que praticaram muitos danos terríveis em nome de Deus em vez de reprová-las. Não podemos ficar frios diante de tantos estragos registrados na Bíblia, na história da Igreja e de outras religiões. Não podemos exaltar aqueles que prejudicaram a humanidade, os animais, o patrimônio e o meio ambiente, usando a religião como pretexto.

 

Jesus disse: “Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.” (Lucas 6:31, NTLH.) [18] Será que você gostaria de ver um povo atacando a nossa nação e levando nossas filhas e matando todas as demais pessoas? Será que gostaria de receber dos outros alimentos que possam estar contaminados? Ficaria feliz ao saber que o seu pai o oferecerá em sacrifício a Deus?  Acharia bom ser enforcado para, supostamente, acabar com algum mal do mundo? Ficaria contente diante de um bando de homens religiosos atacando a todos da sua família e levando todos os seus bens e suas filhas? Gostaria de ver seus animais com as pernas cortadas? Não?  Então, não faça aos outros tudo aquilo que não gostaria que eles fizessem com você. Nem essas e nem muitas outras coisas, desde as mais simples às mais complicadas.

 

Jesus reprovou essas práticas religiosas nojentas do passado, criando um novo testamento, onde tudo deve ser renovado. Mas muitos insistem em valorizar o passado e acabam fazendo apologia de muitos males. Não cause mais danos. Abrace o evangelho original. Esqueça o velho judaísmo. Deixe de lado esses evangelhos estranhos que não combinam com o que Jesus ensinou. Não permita que a mera religião aleije a sua consciência.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br