Dinâmicas de ensino

Livres dos Fardos Religiosos

 

Os discípulos de Jesus chegaram perto dele e perguntaram quem seria o maior no Reino do Céu. Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês não mudarem de vida e não ficarem iguais às crianças, nunca entrarão no Reino do Céu. A pessoa mais importante no Reino do Céu é aquela que se humilha e fica igual a esta criança. E aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará recebendo a mim.” (Mateus 18.1-5, NTLH.) [1]

 

 

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Descrição: Jesus e uma criança. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

Dinâmica de ensino é qualquer atividade capaz de ajudar as pessoas a entenderem, com bastante clareza, o que está sendo ensinado. O que Jesus fez foi um exemplo de dinâmica de ensino. A criança serviu para mostrar para os discípulos que o mais importante é aquele que tem um coração puro, modesto, amoroso e perdoador como as criancinhas e não quem está no auge da fama, quem é considerado o melhor, quem tem cargo de destaque ou coisas parecidas.

 

Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.” (João 6.51, 53-56, RC.) [2]

 

É claro que ele não está dizendo isso no sentido literal. Ninguém deveria e nem poderia comer a sua carne e nem beber o seu sangue. Seus discípulos não eram canibais e nem morcegos. O que ele quis dizer é que, por causa da sua luta em prol do bem, da verdade, do amor, da paz, da justiça, da fé, do perdão e outras coisas, ele ia perder a sua vida. Ele sabia que a sua mensagem não era bem vista pelos líderes religiosos hipócritas da sua época. Naquele tempo, quem pregava contra certos princípios religiosos judaicos era julgado com a pena de morte. Segundo a lei de Moisés, quem blasfemava contra Deus devia ser morto por apedrejamento. (Levítico 24:16.) [3] Fazer o que Jesus fez foi considerado pelos líderes religiosos judeus uma blasfêmia contra Deus. (Mateus 9:3; 26.55; Marcos 2.7; 14.64; Lucas 5:21, João 10.33.) [4] Mas em vez de ser apedrejado, ele foi entregue às autoridades romanas. Naquele tempo, o Império Romano dominava o povo de Israel (os judeus). E, de acordo com a pena de morte romana, o condenado era pregado num madeiro com cravos. [5], [6] Nos furos jorrava sangue. Comer a sua carne e beber o seu sangue não seria transformar o seu cadáver em alimento, mas prosseguir com a sua mensagem. Mensagem que, conforme ele sabia, custaria a vida do seu corpo e faria derramar o seu sangue. Aceitar, viver e anunciar a sua mensagem é participar com ele desse sofrimento. O seu corpo e sangue na cruz por causa da sua mensagem acabaram virando, simbolicamente falando, alimento para a humanidade. A ceia que ele tomou com os seus discípulos foi uma dinâmica de confraternização e de ensino. (Mateus 26.26-29; Marcos 14; 22-26; Lucas 22.14-20.) [7] Ele usou o pão da ceia para representar o seu corpo, que seria ferido e morto por causa de suas mensagens. Usou também o vinho para representar seu sangue, que seria derramado. Trigo ceifado se transformara naquele pão. Uvas colhidas e esmagadas se transformaram naquele vinho. Da mesma forma, o seu corpo torturado, ferido e morto se transformaria num alimento espiritual para a humanidade. É uma pena que muitos ainda não entenderam isso e mistificaram tudo.

 

Outro dia, Jesus ficou perto da caixa de ofertas do templo observando as pessoas colocarem dinheiro ali. Os ricos colocavam muito dinheiro. Mas uma viúva pobre veio e colocou duas moedinhas de pouco valor. Então Jesus aproveitou para ensinar para os seus discípulos que a oferta da viúva, na verdade, era maior. Ela dava praticamente tudo que tinha para viver. Os ricos davam o que estava sobrando. (Marcos 12.41-44.) [8]

 

“Certa vez Jesus estava reparando como os convidados escolhiam os melhores lugares à mesa. Então fez esta comparação: ‘Quando alguém convidá-lo para uma festa de casamento, não sente no melhor lugar. Porque pode ser que alguém mais importante tenha sido convidado. Então quem convidou você e o outro poderá dizer a você: Dê esse lugar para este aqui. Aí você ficará envergonhado e terá de sentar-se no último lugar. Pelo contrário, quando você for convidado, sente-se no último lugar. Assim quem o convidou vai dizer a você: Meu amigo, venha sentar-se aqui num lugar melhor. E isso será uma grande honra para você diante de todos os convidados. Porque quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido.’” (Lucas 14.7-11, NTLH. Grifo meu.) [9]

 

Ele transformou a cena real de um banquete, com pessoas encolhendo os melhores lugares, para dar uma lição de exaltação e humildade. Na sequência, aproveitando a cena do banquete, ele disse para o que o havia convidado que é melhor gastar com os pobres do que com os amigos, parentes e vizinhos ricos. Por isso, o banquete com pobres, aleijados, coxos e cegos é mais importante para Deus. (Lucas 14.12-14.) [10] Em seguida, um dos que estavam à mesa disse: “Felizes os que irão sentar-se à mesa no Reino de Deus! (NTLH.)” Então Jesus respondeu contando a parábola da grande ceia, mostrando que todos são convidados para a festa no Céu. Mas muitos ficarão de fora porque recusam o convite, alegando ter outros compromissos. (Lucas 14.15-24.) [11]

 

 

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Descrição: Jesus e a samaritana. Data: Julho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.  

Outra dia, quando Jesus viu uma mulher samaritana se aproximando dum poço para tirar água, disse: “Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (João 4.13-14, RC.) [12] Ele aproveitou aquele momento, quando o assunto era água, para dizer para a mulher que o seu evangelho é como água para matar a sede espiritual e dar vida eterna.

 

Um dia, ele lavou os pés dos seus discípulos, não como um ritual de purificação, mas para demonstrar para eles que devemos servir uns aos outros com humildade. Foi uma dinâmica de ensino, onde ele concluiu dizendo: “Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” (João 13.5-16, RC.) [13]

 

Como Jesus, podemos ensinar muitas coisas usando dinâmicas de ensino. Por exemplo: para falar sobre o perdão, peça que as pessoas citem algumas coisas desagradáveis que outras pessoas fizeram contra elas. Com um lápis, escreva as coisas citadas num pedaço de papel. Depois, com uma borracha, apague tudo, explicando que perdoar significa apagar da memória tudo aquilo que nos ofendeu.

 

Outro exemplo. Arrume algumas pedrinhas e dê uma para cada pessoa do grupo. Peça para elas colocarem a pedrinha dentro do calçado. Em seguida, peça para elas caminharem. Vai ser difícil. Então aproveite para dizer que erros conservados em nossas vidas são como pedras no sapado: eles precisam ser retirados.

 

Mais um exemplo. Consiga uma rosa com um ramo cheio de espinhos e uma flor singela com o ramo sem espinhos. Pergunte para as pessoas qual das duas flores é a mais bela. Certamente que a maioria ou todos dirão que é a rosa. Peça para uma pessoa segurar a rosa pelo ramo com bastante força. Ela não vai conseguir por causa dos espinhos. Peça outra pessoa para fazer o mesmo com a outra flor. Aproveite para mostrar que muitas coisas, apesar de serem atraentes, são insuportáveis ou causam danos. Não podemos nos iludir com as aparências.

 

 

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Descrição: Uma bela rosa vermelha. Data: 01 de novembro de 2008. Autor: Hamachidori. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

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Descrição: Espinhos de roseira, Kahakapao Gulch , Maui. Data: 18 de agosto de 2005. Autor: Forest & Kim Starr. Fonte. Licença CC BY

 

Ensinar com dinâmicas é melhor do que com longos sermões. Elas despertam a curiosidade das pessoas, atraem a atenção de todos e esclarecem bastante aquilo que queremos ensinar. Mas longos sermões cansam e geram poucos resultados. Por isso, use a imaginação e crie dinâmicas de diversas maneiras.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br