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Ofertas religiosas

Livres dos Fardos Religiosos

 

No passado, as pessoas imaginavam que podiam agradar aos deuses com ofertas de diversos tipos. Por isso, ofereciam frutas, animais, metais preciosos e muitas outras coisas para eles. Essa idéia sempre fez parte das diversas religiões do mundo. Ela atravessou milênios e ainda hoje está na cabeça de muitos.

 

Oferta religiosa é qualquer coisa oferecida nas religiões. Pode também ser chamada de oferenda, dádiva ou oblação. [1]

 

 

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Descrição: Abraão tentando oferecer seu filho Isaque em sacrifício para Deus. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

O livro bíblico de Gênesis diz que Caim ofereceu do fruto da terra para Deus, e Abel ofereceu a primeira cria do seu rebanho. (Gênesis 4.3-4.) [2] Algum tempo depois, Abraão sentiu que devia oferecer para Deus o seu filho Isaque em sacrifício. Parece que Abraão sentiu as influências das religiões que tinham o costume de sacrificar seres humanos. Não ficou registrado como foi que ele ouviu a voz de Deus: se foi através de sonhos, se foi apenas um pensamento ou se foi por meio de algum mensageiro. O certo é que ele foi até o monte Moriá com a decisão de sacrificá-lo. Ele seria assassinado com um cutelo e queimado sobre a lenha. Felizmente o fato não foi consumado. (Gênesis 22.) [3] Caso contrário, esse homem, tão admirado por muitos, teria cometido um infanticídio contra o seu próprio filho, simplesmente para realizar uma oferta tola e criminosa, achando que estaria agradando a Deus.

 

Na história de Israel, encontramos diversos tipos de ofertas voluntárias ou determinadas por lei:

 

·        Materiais diversos para o tabernáculo. (Êxodo 25 e 35.4-20.) [4]

·        Doações voluntárias. (Êxodo 35.21-29.) [5]

·        Animais para serem sacrificados. (Levítico 22.17-33.) [6]

·        Manjares para os sacrifícios. (Levítico 2; Número 5.15.) [7]

·        Azeite e vinho. (Êxodo 29.40.) [8]

·        Primícias das colheitas. (Deuteronômio 18.4.) [9]

·        Primogênitos dos animais. (Êxodo 22.29-30.) [10]

 

 

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Descrição: Retorno de Jefté. Data: 1700-1725. Autor: Giovanni Antonio Pellegrini (1675-1741). Fonte. Projeto de Yorck: 10,000 Meisterwerke der Malerei DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202 . Distribuído por Directmedia Publishing GmbH. Licença domínio público.

No livro bíblico dos Juízes, encontramos a oferta louca e assassina de Jefté. Esse homem fez um voto, dizendo que se Deus o ajudasse a vencer os amonitas, ele ofereceria, em sacrifício, a primeira criatura que saísse da sua casa para lhe encontrar quando estivesse retornando da guerra.

 

Ele foi guerrear contra os amonitas e venceu. Quando voltou para sua casa, a sua filha única, dançando e tocando pandeiro, saiu ao seu encontro. Ficou desesperado, mas depois de dois meses, fez o que havia prometido a Deus, oferecendo a sua filha em holocausto. (Juízes 11.30-39.) [11].

 

Veja que oferta estranha! Quando Josué preparava os hebreus para atacarem a cidade de Jericó, ele deu a ordem para que ninguém pegasse nada da cidade para si. Tudo ali devia ser destruído, menos a prostituta Raabe e a sua família, porque ela havia protegido os espiões que antes tinham passado por lá. Os objetos de prata, ouro, bronze e ferro seriam separados para Deus. Ele disse: “Porém toda a prata, e o ouro, e os vasos de metal e de ferro são consagrados ao SENHOR; irão ao tesouro do SENHOR.” (Josué 6.19, RC.) [12] Foi o que eles fizeram. “Porém a cidade e tudo quanto havia nela queimaram-no a fogo; tão-somente a prata, e o ouro, e os vasos de metal e de ferro deram para o tesouro da Casa do SENHOR.” (Josué 6.24, RC.) [13] Os hebreus saquearam a cidade e ofereceram tudo para o Senhor.

 

Com Jesus Cristo não temos mais a obrigação de cumprir com os deveres da lei de Moisés. Sendo assim, aquelas ofertas sacrificais já não fazem mais sentido para nós. Hoje quando falamos de oferta, elas têm o sentido de doar alguma coisa por amor e de forma espontânea para alguma causa, que não seja sacrifício. Essas doações podem ser dinheiro, alimentos e tantas outras coisas mais. Não podem ser ofertas como aquelas exigidas por Moisés e Josué e nem as loucuras dos homens do passado.

 

O evangelista Marcos registrou o seguinte: “E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: ‘Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.’” (Marcos 12.41-44, RC.) [14] Foi pouco, mas foi de coração. Não adianta doar muito se não for por amor.

 

Outra vez ele disse: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.” (Mateus 10:42, RC.) [15]

 

Jesus disse ainda para um homem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.” (Mateus 19:21, RA.) [16] Observe que Jesus não pediu a riqueza para ele, mas para os pobres. Hoje muitos querem ofertas volumosas para o seu ministério que gasta uma fortuna com o seu próprio luxo. Alguns usam esse dinheiro para pagar hotel cinco estrelas, pregadores famosos, compra de aviões, construção de templos luxuosos e tantas coisas mais.

 

 

 

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Descrição: Ofertas de coração: essa é a idéia de Jesus e dos apóstolos. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Em 1 Coríntios 16.1-3, Paulo fala sobre as ofertas para os cristãos de Jerusalém. [17] Em 2 Coríntios 8 e  9, ele fala  mais sobre as ofertas voluntárias. Ele diz no capítulo 9, versículo 7 que cada um deve contribuir segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria. Cada um deve doar por amor. Não pode fazer isso obrigado por um preceito ou lei. [18]

 

Justino Mártir diz: “Aqueles que prosperaram e tem essa vontade, contribuem, cada um na quantidade que quiser. Aquilo que é coletado é depositado com o presidente, e ele cuida dos órfãos e das viúvas e dos necessitados... e aqueles que estão presos e dos forasteiros que habitam entre nós” (I Apol. 67). [19], [20]

 

Essas ofertas eram chamadas de oblações – doações voluntárias destinadas às obras de caridade praticadas no cristianismo primitivo. Eram doações voluntárias segundo o coração de cada um. Não eram uma obrigação imposta por lei.

 

O apóstolo Paulo, sabiamente disse: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.” (Atos 17.24-25, RC.) [21]

 

Como podemos ver, Paulo está mostrando que Deus não tem necessidades de nenhuma oferta. Ele não precisa de ofertas de metais preciosos, alimentos, animais ou seres humanos, como acreditavam os antigos povos, tampouco precisa de dinheiro. Tudo já é dele. As nossas ofertas devem ser para ajudar uns aos outros em suas necessidades. As pessoas carentes e os ministérios que realizam a obra de Deus são os que precisam de nossa ajuda. Mas essa ajuda, como já foi dito, tem que ser espontânea e de coração, sem tristeza e sem constrangimentos. E os que usam essas ofertas precisam aprender a usá-las com moderação dentro daquilo que seja realmente necessário e importante.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br