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Exploração religiosa (parte II)

Livres dos Fardos Religiosos

 

Continuação do post anterior.

 

Infelizmente, nem todos foram ou são como Jesus e os seus primeiros discípulos. A história do cristianismo está recheada de negócios.

 

A venda de relíquias. Relíquias de todos os tipos, incluindo ossos, cabelos e objetos pessoais de santos e também coisas que tocaram em seus cadáveres, foi um tipo de exploração religiosa muito comum na Idade Média. Quanto mais preciosas elas eram, mais caras. O pior é que muitas eram relíquias “piratas” ou seja: eram relíquias falsas. Enquanto muitos veneravam os santos, outros os desveneravam com o seu comércio. [1], [2]

 

 

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Desc.: Relíquia I. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Dízimo medieval. No século VI, como já vimos noutra mensagem, logo depois do início da Idade Média, no Sínodo de Macon, ficou decidido que os cristãos deveriam pagar o dízimo sob pena de excomunhão. Em 785, na Europa, Carlos Magno, o rei dos francos, através de um decreto, instituiu o dízimo como uma lei civil para o sustento da Igreja Católica. Com a Reforma protestante, em muitos países, o dízimo continuou sendo cobrado. E essa prática acabou virando doutrinas de muitas igrejas protestantes e evangélicas. Todavia o dízimo praticado nas igrejas é o dízimo medieval. Não tem nada a ver com o dízimo da Bíblia. Muitos cobram o dízimo, não porque querem explorar as pessoas, mas porque acham que ele é correto. No entanto, muitos estão mesmo é querendo explorar essa doutrina que Jesus não instituiu. Já entenderam que ele é indevido, mas mesmo assim continuam exigindo os dez por cento de seus membros. Antes, diziam que o dízimo, segundo a Bíblia, tinha que ser entregue na casa do tesouro, que, segundo os cobradores de dízimo, é o templo da igreja. Mas hoje em dia, em algumas igrejas, os fiéis já podem pagá-lo através do débito automático em conta-corrente ou através de cartão de crédito. [3]

 

 

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Desc.: Dízimo medieval. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Venda de sacramentos. O catolicismo instituiu sete sacramentos: batismo, crisma ou confirmação, confissão, eucaristia, extrema-unção, ordem e matrimônio. Esses sacramentos viraram uma espécie de prestação de serviço, e os padres passaram a cobrar pela realização de quase todos eles. Essa cobrança ficou conhecida como pé de altar. [4], [5] Mais tarde, surgiu também a cobrança de taxas para emissão de certidões, dispensas e licenças.

 

 

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Desc.: Tabela sacramental de preços. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

A venda de indulgências. O comércio de indulgências foi outro tipo de exploração que aconteceu a partir da Idade Média. Foi instituída no século XII em troca de algum ato de piedade. Com o tempo e com os abusos cometidos, acabou virando um negócio lucrativo. [6] No início do século XVI, o papa Júlio II e o seu sucessor Leão X abusaram dessa oportunidade para arrecadar fundos para a reconstrução da Basílica de São Pedro em Roma. [7], [8] "No ano de 1517, mandou o Papa Leão Décimo promulgar jubileu e larguíssimas indulgências a todos os que concorressem com certa esmola para a guerra contra os turcos, e fábrica do Templo Vaticano de S. Pedro." (Pe. Antônio Vieira, Sermões, VII, p. 181.) [9] É uma complicada doutrina. A Igreja se enrola tentando explicar um emaranhado de idéias sobre o pecado. [10] Mas, na realidade, o que realmente parece ter alimentado essa doutrina foi o comércio.

 

 

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Desc.: Indulgência. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

 

A venda de missas. Antes não havia nenhuma doutrina oficial sobre o purgatório, mas a crença sobre ele já existia desde o século III. No século XV, nos concílios de Florença e, no século XVI, no Concílio de Trento, ele foi aprovado. De acordo com a doutrina católica, as almas, no Purgatório, podem ser aliviadas, e a sua permanência ali abreviada pelas preces dos fiéis, principalmente com o sacrifício da missa. [11] Dessa forma, a Igreja vem celebrando missas em troca de pagamentos em dinheiro, tornando-se um negócio lucrativo para ela. Além da missa de corpo presente, várias outras são celebradas a pedido dos parentes e amigos. Como nunca se sabe quando uma alma realmente vai sair desse suposto lugar, então, cada morto acaba se tornando uma fonte de lucro por longo tempo. Se crença desse tipo fosse verdadeira, então os ricos levariam a melhor. Eles podem reservar uma grande soma de dinheiro destinada à celebração de milhares de missas após a sua morte, coisa que o pobre não pode fazer.

 

 

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Desc.: Cerimônia fúnebre. Data: Julho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Exploração da religiosidade popular. A religiosidade popular que tomou conta da igreja em muitos lugares não tem nada a ver com o evangelho original de Cristo. Os líderes da Igreja sabem que há muitos desvios, muitas crendices, muitos absurdos. Mas mesmo assim muitos acham interessante continuar explorando esse tipo de religiosidade que, afinal de contas, gera muitas divisas para a Igreja. As quermesses, as novenas, as peregrinações, a venda de imagens, medalhas, terços, etc., tudo virou fonte de exploração religiosa.

 

 

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Desc.: Religiosidade popular. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Mas não é apenas uma igreja que explora as pessoas com a religião. Muitas outras igrejas fazem o mesmo.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br