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Exploração religiosa (parte I)

Livres dos Fardos Religiosos

 

A Bíblia mostra, no I livro dos Reis, do capítulo 4 ao capítulo 11, que Salomão, o terceiro rei de Israel, era muito rico. Ele vivia mergulhado no luxo, num reino esplendoroso, ao lado de mil mulheres. Mil!? É isso mesmo. “Apenas” mil mulheres. [1]

 

 

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Descrição: A vida regalada de Salomão. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Mas como foi que ele conseguiu tudo isso?  Segundo o escritor do livro de I Reis, toda a sua riqueza foi dada por Deus. (I Reis 3.13.) [2] Mas quando lemos outros trechos da sua história, percebemos que não foi bem assim. Para construir o templo de Jerusalém, onde o povo pudesse adorar a Deus, o seu palácio, uma fortaleza chamada Milo, as muralhas de Jerusalém e reconstruir as cidades de Hazor, Megido e Gezer, ele usou o trabalho forçado de uma leva de gente composta de trinta mil homens. (I Reis 5.13; 9.15; 9.20-21.) [3] Além disso, o povo de Israel foi duramente explorado por ele. Podemos perceber isso quando o povo reclamou com o seu filho Roboão: “Salomão, o seu pai, nos tratou com dureza e nos fez carregar cargas pesadas.” (I Reis 12.4; II Crônicas 10:4, NTLH.) [4]

 

 

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Descrição: Será que podemos dizer que Salomão agiu certo, construindo tudo usando o trabalho forçado de milhares de pessoas? Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

A palavra exploração tem vários sentidos, mas aqui vamos tratá-la como ato de utilizar-se de um fato, de uma situação, de uma posição, de uma ocupação, etc., para obter vantagens, proveitos ou ganhos. Salomão foi um exemplo de exploração religiosa. Ele subiu ao trono, segundo a crença, com a aprovação de Deus, que lhe prometera muitas riquezas. Mas como podemos ver, ele usou a sua posição privilegiada de rei religioso para explorar os mais fracos. Enquanto ele vivia, regaladamente, no seu palácio luxuoso, ao lado de mil lindas fêmeas, o seu povo era oprimido. Ele deixou escrito: “Melhor é o pouco com justiça do que a abundância de colheita com injustiça.” (Provérbios 16:8, RC.) [5] Será que ele, com toda a sua riqueza, teria percebido que não valera a pena ter tudo que tinha com o preço da injustiça?

 

A exploração sempre esteve presente no meio religioso. A religião tem sido, para muitos, uma verdadeira fonte de lucros exorbitantes. Alguns profetas denunciaram isso. O profeta Miquéias disse: “Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro.” (Miquéias 3.11, RC.) [6]

 

Jesus foi contra a exploração religiosa. Quando ele enviou um grupo de discípulos numa missão, ele disse que eles deveriam pregar a chegada do reino dos céus, curar enfermos, ressuscitar mortos e expulsar demônios, tudo de graça. Eles não precisariam levar nada. Poderiam ficar hospedados nas casas dos outros, onde poderiam comer e beber o que lhes fosse oferecido, afinal, segundo ele, o trabalhador é digno do seu salário. Não poderiam cobrar pelos seus serviços, mas poderiam aceitar a ajuda dos outros. (Mateus 10.1-11; Lucas 10.1-9.) [7] Em lugar nenhum, vemos Jesus e os seus primeiros discípulos explorando os outros com a religião. Ele realizou um monte de coisas sem cobrar nada. Apenas contou com a ajuda daqueles que amavam o seu ministério.

 

Paulo foi um exemplo de religioso que não explorou as pessoas. Ele disse: “Não cobicei nem a prata, nem o ouro, nem as roupas de ninguém. Pelo contrário, vocês sabem que eu trabalhei com as minhas próprias mãos e consegui tudo o que eu e os meus companheiros de trabalho precisávamos. Em tudo tenho mostrado a vocês que é trabalhando assim que podemos ajudar os necessitados. Lembrem das palavras do Senhor Jesus: ‘É mais feliz quem dá do que quem recebe.’’” (Atos 20:33-35, NTLH) [8] Para os tessalonicenses, ele disse: “Pois vocês sabem muito bem que não usamos palavras bonitas para enganar vocês, nem procuramos tapear vocês para conseguir dinheiro. Deus é testemunha disso.” (1 Tessalonicenses 2:5, NTLH) [9] “Irmãos, vocês com certeza lembram de como trabalhamos e lutamos para ganhar o nosso sustento. Trabalhávamos de dia e de noite a fim de não sermos uma carga para vocês, enquanto anunciávamos a vocês a boa notícia que vem de Deus. (1 Tessalonicenses 2:9, NTLH.) [10] “Não temos recebido nada de ninguém, sem pagar; na verdade trabalhamos e nos cansamos. Trabalhamos sem parar, dia e noite, a fim de não sermos um peso para nenhum de vocês. É claro que temos o direito de receber sustento; mas não temos pedido nada a fim de que vocês seguissem o nosso exemplo.” (2 Tessalonicenses 3.8-9, NTLH.) [11]

 

Jesus alertou sobre os exploradores religiosos: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7:15, RC.) [12] “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas.” (João 10.11-13, RC.) [13] Mercenário é quem faz tudo pensando em ganhar dinheiro.

 

Pedro, falando dos falsos mestres que viriam, alertou dizendo que por avareza, eles farão de nós negócio, com palavras fingidas’ (II Pedro 2.3a) [14] Isso tem acontecido: a ambição pelo dinheiro tem feito muitos líderes de muitas igrejas usarem palavras astuciosas para explorar as multidões.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br