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Livros litúrgicos

Livres dos Fardos Religiosos

 

Desde o tempo de Moisés, por volta do século XV a.C. (data incerta) os hebreus, também conhecidos como israelitas ou judeus, cultuavam a Deus com uma série de coisas. Eles tinham um santuário, que depois foi substituído por um templo construído em Jerusalém. Nesses locais, eles tinham um altar com fogo, tanque com água, candelabro, mesa com pães, incensário, arca sagrada, sacerdotes com roupas especiais, etc. No tabernáculo, e depois no templo, usando essas coisas, eles cultuavam a Deus, oferecendo sacrifícios de animais, oferecendo alimentos, queimando incenso, fazendo libações de vinho e outras coisas mais. Tudo isso fazia parte da liturgia do culto judaico. [1], [2], [3]. Para ajudar os sacerdotes, quatro livros foram escritos: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Nesses livros, foram dadas as explicações sobre o desenvolvimento da liturgia hebraica. [4]

 

A palavra liturgia, como já vimos noutra mensagem, vem do termo grego leitourgia e significa serviço ou trabalho público. Com o tempo, passou a ser considerado também como serviço público religioso. O conjunto de práticas e elementos usados nos serviços públicos religiosos como: as orações, os gestos, os paramentos, os cânticos, os objetos sagrados, as cores, etc., fazem parte da liturgia. [5], [6], [7], [8]. Livros litúrgicos são os livros que contêm todas as orientações sobre a execução das tarefas litúrgicas das igrejas.

 

Jesus, ao contrário de Moisés, não instituiu nenhum ritual e, consequentemente, nenhum livro litúrgico. Mas, como já vimos noutras mensagens, os líderes da Igreja judaizaram e paganizaram o evangelho de Jesus, criando uma liturgia carregada de rituais. Então, com o tempo, foi necessário criar vários livros litúrgicos para auxiliarem os sacerdotes.

 

 

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Descrição: Livro de liturgia. Data: Abril 2008. Autor: Jasonvoss. Fonte e licença domínio público.

 

·       Até o século IV, a Igreja não possuía livros litúrgicos oficiais.

 

·       Em 215, o teólogo Hipólito de Roma, em sua obra “Tradição Apostólica”, ensinou um monte de formalidades, incluindo a Oração Eucarística com oferecimento do pão e do vinho (Ofertório), invocação do Espírito Santo (Epíclese) e uma oração conclusiva (Doxologia). Ensinou também o Sinal da Cruz, o uso da luz, expressões como: "o Senhor esteja convosco", "corações ao alto", etc. Tudo isso foi incluído na liturgia do culto. [9]

 

·       Por volta do século IV, em diversas localidades, surgiram diversas obras litúrgicas:

 

·       Liturgia de São Tiago, também conhecida como Liturgia de Jerusalém. [10], [11].

·       Liturgia de São Marcos. [12], [13].

·       Liturgia de São Cirilo. [14].

·       Liturgia de São Gregório, o Teólogo (patriarca Gregório de Nazianzo). [15].

·       Liturgia de São Basílio. [16].

·       Liturgia de São João Crisóstomo. [17].[18].

·       Liturgia de Santo Ambrósio. [19].

·       Liturgia de Addai e Mari. [20], [21].

·       Liturgia de são Germânio. [22].

·       Constituições Apostólicas. [23]

 

·       No século V e VI, apareceram os primeiros sacramentários:

 

·       O Sacramentário Veronense ou Leonino, atribuído, indevidamente, ao papa Leão I (440-461).

·       O Sacramentário Gelasiano do papa Gelásio I (492-496). [24], [25], [26].

·       O Sacramentário Gregoriano. [27]. Nessa obra, o papa Gregório I, conhecido como Gregório Magno, registrou uma reforma mais completa e marcante da liturgia do rito romano que já vinha sofrendo modificações. [28], [29], [30], [31], [32]

 

Os sacramentários, também chamados de eucológios nas liturgias orientais, são livros contendo as orações que o sacerdote deve recitar na celebração da missa. [33]

 

·       A partir do século VII, em vez dos textos bíblicos serem lidos diretamente na Bíblia, eles passaram a ser lidos nos Lecionários. O Lecionário é o livro contendo textos bíblicos selecionados para as diversas ocasiões. [34], [35], [36]

 

 

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Descrição: Livros litúrgicos. Data: junho/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       Por volta do século VIII, foram criadas as Antífonas (livros contendo os cantos da liturgia). [37], [38], [39], [40]

 

·       Nos séculos seguintes, principalmente até o século IX, surgiram diversos outros sacramentários. Isso prova que as fórmulas litúrgicas não eram iguais em todos os lugares. Não havia uma liturgia unificada. [41], [42], [43]

 

·       No século X, foi criado o primeiro Pontifical (livro com as orações, os ritos e as cerimônias destinados ao papa e aos bispos). [44], [45]

 

·       No século XI, foi criado um livro resumindo os demais livros e, por isso, foi chamado de Breviário. [46]

 

·       No século XIII, foi fixado o Ordinário da Missa (livro contendo as instruções sobre as funções litúrgicas). [47], [48], [49], [50].

 

·       Ainda nesse século XIII, foi criado o Missale Plenarium (um livro contendo junto o conteúdo dos outros livros litúrgicos). [51], [52], [53]

 

·       No século XVI, foi impresso o primeiro Ritual (livro contendo os rituais a serem seguidos pelo sacerdote). [54], [55]

 

·       Na segunda metade do século XX, com as reformas do Concílio Vaticano II, foram confeccionados novos livros:

 

·       Calendarium Romanum;

·       Missale Romanum;

·       Lecionário dominical e festivo;

·       Lecionário ferial;

·       Lecionário santoral;

·       Lecionário das crianças;

·       Lecionário para as missas de Nossa Senhora;

·       Liturgia Horarum;

·       Pontificale Romanum;

·       Diretório Litúrgico. [56]

 

Meu Deus! Quantos livros!

 

Como podemos ver, todos esses livros litúrgicos parecem que foram feitos para descomplicarem as tarefas da Igreja, mas eles, na verdade, preservam toda complicação litúrgica criada ao logo dos séculos. Por isso, podemos dizer que não é fácil ser um sacerdote eclesiástico. Esse precisa ser bastante instruído, para saber manejar bem toda essa biblioteca litúrgica. Diante de tudo isso, resta-nos dizer que a simplicidade do evangelho foi por água abaixo e se perdeu nesse mar de formalidades.

 

Antes de terminar, quero dizer-lhe o seguinte: respeite todos esses livros. Eles fazem parte do acervo da fé de muitos. Entretanto, você não precisa deles para poder viver em paz com Deus. O seu bem-estar espiritual não depende desse emaranhado de fórmulas litúrgicas registradas nos velhos livros. Jesus não criou nada disso e, com ele, poderá se livrar de toda essa carga.  

 

 Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br