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Liturgia do culto público (parte VI)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Até o final da Idade Média, a crença na doutrina da transubstanciação ganhou grandes reforços. Ela foi confirmada em alguns concílios. E a devoção ao Santíssimo Sacramento mais a festa de Corpus Christi a fortaleceram ainda mais. Vejamos:

 

·      A partir do século VIII, o pão passou a ser chamado de hóstia, do latim hostia, que significa vítima. [1], [2]. Se Jesus foi a vítima do sacrifício que selou a nova aliança de Deus com os homens, e o pão se transformava, literalmente, segunda a crença, no corpo real de Jesus, então acharam melhor chamar o pão com esse novo nome.

 

 

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Descrição: Elevação da hóstia. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·      Entre os séculos IX e XI, a liturgia romana recebeu influências do rito galicano, a partir da época do reinado de Carlos Mago do Império Franco. [3], [4]. 

 

·      No século XII, a elevação da hóstia, no momento da sua consagração, se tornou um costume. [5], [6].

 

·      Até o século XIII, desde as reformas do papa Gregório Magno entre os séculos VI e VII, o rito romano, nas diversas localidades, recebeu diversos elementos acessórios, mantendo, porém, a essência gregoriana. Mas no século XIII, foi fixado o Ordinário da Missa (livro contendo as instruções sobre as funções litúrgicas). Todavia, mesmo assim, ainda permaneceram algumas variantes secundárias adotadas nas diversas dioceses. Além disso, nesse Ordinário, foram inseridos alguns elementos dos outros ritos europeus, agora praticamente extintos. [7], [8], [9].

 

·      Ainda no século XIII, em 1215, o Concílio de Latrão IV, no cânon 1, ficou confirmada a doutrina da transubstanciação, que afirma que após a sua consagração, o pão e o vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo, confirmando as crenças antigas desde o século II. O Concílio de Lyon (1274) também aprovou essa crença. O mesmo fez o Concílio de Trento na Sess. XIII, cap. IV (1551). [10], [11]. Por causa dessa crença, nesse século, havia uma tendência para a adoração da hóstia consagrada. [12]

 

 

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Descrição: Concílio de Trento, pintura no Museu do Palácio de Buonconsiglio, Trento. Foto: Laurom. Data: 11 de novembro de 2009. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

·      Ainda nesse século, embalada nessa crença, Juliana, uma freira agostiniana do Convento de "Mont Cornillon", na Bélgica, teria tido visões sobre a ausência da veneração à hóstia consagrada, também chamada de Santíssimo Sacramento. Ela comunicou o ocorrido ao bispo da cidade belga de Liège. Esse, impressionado, ordenou que fosse feita uma celebração dedicada ao Santíssimo Sacramento (a hóstia consagrada). Em 1264, teria acontecido um milagre eucarístico na comuna italiana de Bolsena, quando de uma hóstia partida, teria saído sangue. Então, no dia 8 de setembro do mesmo ano, o papa Urbano IV, comovido com o prodígio, por meio da bula Transiturus, ordenou que a festa fosse celebrada em toda a Igreja. Essa nova comemoração ficou conhecida como Corpus Christi. Mas Urbano morreu menos de um mês depois, prejudicando a sua realização. [13], [14].

 

 

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Descrição: Tapete para a procissão de Corpus Christi.   Data: 2005. Autor da foto: Enric Naval. Fonte e licença domínio público.

 

·      No início do século XIV, em 1311, o papa Clemente V ordenou novamente a adoção desta festa. Em 1317, o papa João XXII continuou com a idéia, e a festa foi estendida a toda a Igreja. A partir de então, a festa de Corpus Christi foi se popularizando. [15], [16]. A missa, onde o pão consagrado, segundo a crença, se transforma no corpo de Cristo, foi se tornando cada vez mais importante. E a hóstia, considerada como o verdadeiro corpo de Jesus, tornou-se, mais do que nunca, um objeto de adoração.

 

·      No século XIV, o papa Martinho V e Eugênio concederam indulgências a quem participasse das procissões de Corpus Christi. [17], [18], [19].


 

 

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Descrição: Festa de Corpus Christi. Data: 11/06/2009. Autor: Silar. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

·      Tipos de missa: missa em ação de graças, missa de defuntos ou missa de réquiem, missa de corpo presente, missa do terceiro dia, missa do sétimo dia, missa do trigésimo dia e missa do aniversário da morte. A missa pode ser normal ou solene (celebrada com mais solenidade e por mais de um celebrante, ocupando um tempo maior). [20].

 

·      Outros detalhes sobre a missa. Somente membros do clero (padres, bispos, arcebispos, cardeais e o papa) podem celebrar a missa. O diácono não pode. [21]. Esse apenas ajuda. [22], [23]. Ela é celebrada obrigatoriamente em todos os domingos e dias santos. [24]. Podem ser celebradas em outros dias em caso de necessidade. Os fiéis são obrigados a participarem das missas dos domingos e dos dias santos. [25], [26].

 

Onde foi que Jesus impôs essas obrigações? Em lugar nenhum. Não foram nos seus ensinos que surgiram todas essas coisas. Por isso, nem todos concordaram com todas essas crenças e práticas. Então, depois da Idade Média, o século XVI vai surgir trazendo algumas mudanças significativas.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br