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Liturgia do culto público (parte IX)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

No século XX, ainda no embalo do Movimento de Santidade, surgiram novidades na liturgia dos cultos públicos das igrejas: Movimento Pentecostal, Movimento Carismático, Movimento Neopentecostal, fanerose, igrejas celulares e milhares de novas igrejas protestantes e evangélicas. Enquanto tudo isso acontecia, a Igreja Católica renovou a celebração de suas missas.

 

Movimento de Santidade

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Movimento Pentecostal

˜

Movimento Carismático

Movimento Neopentecostal

Fanerose

Igrejas celulares

Milhares de novas igrejas

Descrição: Movimentos que mudaram a liturgia das igrejas no século XX. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       No início do século XX, por volta de 1906, o Movimento de Santidade fez surgir o Movimento Pentecostal, que trouxe novidades para a liturgia do culto, incluindo músicas com mãos levantadas, danças, palmas, falar em línguas, interpretação de línguas, profecias e pregadores barulhentos, tentando sair das velhas formalidades romanas. Essa idéia foi evoluindo, e outras coisas foram surgindo. As igrejas históricas como a Igreja Episcopal, Anglicana, Luterana, Metodista, Batista e Católica ficaram de fora. [1], [2]. Por isso, novas igrejas acabaram sendo criadas como: Igreja Assembléia de Deus, Igreja Deus é Amor, Igreja Cristã no Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Unida, Igreja de Nova Vida e muitas outras. [3]. O adjetivo pentecostal passou a fazer parte do nome de várias igrejas. Foi mais um modismo que virou tradição. Hoje, muitos pentecostais sentem que ainda falta alguma coisa. Afinal, muitos saem dos cultos barulhentos e continuam sem fazer a diferença na sociedade. Não conseguem ser “cristãos” sem seus cultos litúrgicos. E fora deles nem sempre produzem os verdadeiros frutos.

 

 

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Descrição: Um culto pentecostal. Data: 14 de julho de 2010. Autor: Rayttc. Fonte e obra completa.  Licença CC BY-SA.

 

·       Em meados do século XX, o papa Pio XII promoveu uma nova revisão do Missal Romano, mas os católicos continuaram praticamente na mesma situação. [4].

 

·       Ainda nesse século, na década de 60, as igrejas históricas acabaram adotando crenças e práticas semelhantes aos pentecostais. Essa nova tendência ficou conhecida como Movimento Carismático. [5]. Dessa forma, as igrejas Anglicana, Episcopal, Luterana, Ortodoxa, Católica, etc., abrilhantaram seus cultos com uma nova roupagem, influenciadas pelas novas crenças e comportamentos, contudo, sem sair dos velhos trilhos litúrgicos.

 

·       Também no século XX, o papa João XXIII, o sucessor do papa Pio XII, embalado na necessidade de uma reforma litúrgica que já havia se manifestado desde o século do Iluminismo (século XVIII) resolveu convocar o Concílio Vaticano II (1962-1965). [6]. A Missa Tridentina sofreu várias mudanças, mas manteve o espírito litúrgico dos velhos tempos romanos, em vez de voltar ao tempo da igreja primitiva. Algumas características dessa mudança são: celebrantes de frente para o povo (versus populum) e o uso da língua de cada região, no lugar do latim, a língua utilizada na Missa Tridentina. [7], [8], [9], [10], [11].

 

 

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Descrição: Uma missa depois da reforma do Concílio Vaticano II. Data: 24 de junho de 2008. Autor: Arrone. Fonte e obra completa.  Licença CC BY-SA.

 

·       Também no século XX, por volta de 1970, surgiram as igrejas neopentecostais). Essas igrejas, dentro de um pragmatismo sem limites, introduziram, em seus cultos, uma série de coisas com o objetivo de atrair novos adeptos. A liturgia do culto público ganhou novas roupagens na onda das doutrinas da confissão positiva, maldição hereditária, batalha espiritual e teologia da prosperidade. [12]. Foram criados cultos e correntes de todos os tipos como: Culto da Vitória, Culto da Libertação, Culto da Prosperidade, Culto do Descarrego, Culto da Benção, Culto das Causas Impossíveis, Culto de Avivamento, Corrente do Amor, Corrente da Vitória, Corrente do Emagrecimento, etc., etc. A liturgia desses cultos foram abrilhantadas com uma avalanche de novos elementos místicos como: unção com óleo, aspersões, passagem pelo túnel do amor, lavagem das mãos em fonte milagrosa; bênção da carteira de trabalho, de celulares para receberem boas notícias, do envelope do pagamento, do cartão de crédito, do talão de cheques, da peça de roupa, de carros, de eletrodomésticos; distribuição de rosa ungida, óleo ungido, aliança ungida, lenço ungido, água do Rio Jordão, azeite do Monte das Oliveiras, areia da praia da Galiléia, varinha de Jacó, galho de oliveira do Monte das Oliveiras, fitinhas, medalhas, tapete ungido, enxofre do mar Morto, trombeta de Jericó, cântaro e espada de Gideão e muitos, muitos outros elementos místicos que imaginamos ou que nunca passaram pela nossa cabeça. [13]. Foi aqui que o pragmatismo, aquela idéia de Finney, se tornou um veneno. Agora tudo serve para atrair novos adeptos de acordo com a filosofia pragmática. [14]. O misticismo neopentecostal não é diferente do misticismo de outras religiões. Com as inovações dos pentecostais, dos adeptos da onda do Grande Despertar, dos puritanos, da turma da Reforma, embaraçados nas liturgias romanas e judaicas, estão voltando para os tempos das civilizações primitivas dos velhos xamãs, fazendo do evangelho um negócio, uma coisa estranha, perdida nos emaranhados “neolitúrgico” e “veterolitúrgico”.

 

 

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Descrição: Um culto neopentecostal. Data: 21/03/2006. Autor: Roberto Filipe. Fonte e obra completa. Licença CC BY-SA.

 

·       No final do século XX, na década de 90, para fechar o milênio, dentro do pentecostalismo, no Canadá, surgiu a onda da fanerose com crenças até então estranhas como: cair no espírito, unção do riso, unção do leão, e por ai afora, dando aos cultos uma agitação diferente, ofuscando um pouco a liturgia tradicional. Os adeptos dessa onda passaram a uivar, latir, grasnar, andar de quatro, rolar no chão, dar risadas, rodopiar e outras coisas semelhantes. [15], [16]. Essas atitudes lembram adeptos do mitraísmo que imitavam o corvo e rugiam como leão. O primeiro grau de iniciação dessa religião era o do corvo, e o quarto, o do leão. [17] Essa prática, aparentemente espiritual, mas demonstrando fanatismo e irracionalidade, não demonstra uma volta aos encontros dos primeiros cristãos, uma vez que as virtudes cristãs ou os frutos do Espírito, nem sempre são encontrados nas pessoas que frequentam esses movimentos. Novos pregadores adeptos dessa idéia saem por ai, oferecendo ao povo esse tipo de liturgia para abrilhantarem as velhas e cansativas tradições litúrgicas que ainda embaraçam. E as coisas velhas, com essas novidades estranhas, deixam o povo longe do verdadeiro evangelho, fazendo meros espetáculos religiosos frenéticos que, na verdade, não tem trazido nenhuma edificação e amadurecimento para pessoas. Tem sido apenas shows de aparente espiritualidade. [18].

 

 

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Descrição: Latir: uma atitude bizarra encontrada nos cultos públicos dos adeptos da fanerose. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       Na virada do século XX para o século XXI, surgiram as igrejas celulares, que são reuniões de pequenos grupos, geralmente nos lares, mas que continuam ligadas a uma denominação religiosa. [19], [20]. São, na verdade, células de uma igreja institucionalizada. São uma tentativa de voltar aos tempos primitivos, mas ainda com alguns embaraços, pois estão ligadas ao sistema religioso tradicional, e os seus membros ainda frequentam templos, onde acontecem cultos cheios de formalidades. E as suas reuniões nos lares, muitas vezes, são uma cópia da velha liturgia.

 

Milhares de outras igrejas surgiram por todos os lados. Mas quase todas seguiram os mesmos princípios básicos. Apesar das inovações, praticamente todas preservam resquícios da tradicional missa, onde os elementos da ceia viraram alimentos místicos, e as festas de confraternização viraram meras liturgias carregadas de formalidades romanas, de elementos judaicos e de coisas mágico-primitivas. Apesar de algumas novidades, a essência litúrgica que Jesus jamais determinou ainda continua enraizada. Veja como costuma ser o culto de muitas igrejas.

 

 

·       Abertura.

·       Oração.

·       Período de louvor e adoração.

·       Oração.

·       Entrega de dízimos e ofertas.

·       Leitura da Bíblia.

·       Sermão.

·       Apelo.

·       Oração.

·       Avisos.

·       Música final.

·       Oração e bênção apostólica.

 

Obs.: Em alguns cultos, a Santa Ceia é celebrada depois do sermão. Em muitas igrejas, é comum haver campanhas variadas no meio da liturgia do culto, usando diversos elementos místicos. A vida cristã de muitos se resume apenas nisso.

 

 

Destacamos os principais ingredientes da liturgia do culto público das diversas igrejas. Quase tudo, nada tem a ver com o verdadeiro evangelho de Jesus. Muitas outras coisas aconteceram e ainda acontecem, distanciando as pessoas daquilo que Jesus realmente ensinou e viveu. O espaço é pequeno para descrever tudo com detalhes. Todas essas coisas foram inventadas pelos homens das igrejas, através da história. Essa é a carga litúrgica que as igrejas colocaram e tentam colocar sobre os outros. Fardos pesados que Jesus jamais criou. Será que com tudo isso que arrumaram, podemos dizer que o julgo de Jesus é suave e que o seu fardo é leve conforme ele disse em Mateus 11.30? [21] Tudo isso não são os mandamento de Deus, que João disse não serem pesados. (I João 5.3.) [22] Então resta-nos dizer o que disse Paulo: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gálatas 5:1, RA.) [23] “Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens.” (1 Coríntios 7:23, RA.) [24] 

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br