Liturgia do culto público (parte I)

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Atenção! Esta é uma mensagem que você jamais ouviu dentro de uma igreja-templo. Ela pode deixar você aborrecido, mas, no final, não será mais o mesmo, depois que as cortinas históricas dos bastidores eclesiásticos forem abertas. O nosso objetivo não é denegrir ou perseguir as diversas religiões e igrejas, mas mostrar o que Jesus realmente fez para dar liberdade a todos. Prepare-se para mergulhar na história e encontrar a verdade que liberta. Esta obra é para todos aqueles que estão cansados da mesmice, da rotina religiosa, dos rituais repetitivos e das tradições monótonas das liturgias eclesiásticas. Você vai ver que Jesus não tem nada a ver com o que andam fazendo nas igrejas.

 

 

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Desc.: Celebração eucarística. Data: 21/06/2009. Autor: Doriana.giarratana. Fonte. Licença CC BY-SA.

 
Todos têm a plena liberdade de viverem a sua fé da forma que quiserem. Todavia, todos também têm o direito de saberem a verdade para decidirem, conscientemente, se vão continuar como estão ou se deverão mudar alguma coisa. Fiz isso porque sei que os que estão nos púlpitos, nos altares e nos bancos estão cansados de carregar esse fardo religioso. Uma carga que Jesus jamais colocou sobre os ombros da humanidade.

 

 

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Descrição: Formalidades, gestos, longas orações, sermões, rezas repetitivas, vestimentas, clichês, explorações, velas, incenso, objetos sagrados, misticismos, etc. Você é livre para carregar tudo isso. Mas também pode ficar livre de todas essas coisas. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Algumas pessoas vêem essas reuniões solenes nas igrejas-templos, cheias de elementos repetitivos e ficam pensando onde arrumaram tudo isso. Muitos andam pregando que, para ser cristã, a pessoa tem que participar dos cultos carregados de formalidades. Mas onde encontramos esses cultos no evangelho de Jesus e na igreja primitiva do primeiro século? No Novo Testamento, não encontramos nada parecido com a missa e com os cultos protestantes e evangélicos. Então, onde buscaram tudo isso que vemos nas liturgias das igrejas?  

 

 

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MISSAS E CULTOS PROTESTANTES E EVANGÉLICOS

VOCÊ NÃO ENCONTRA NADA DISSO NO NOVO TESTAMENTO

Sendo assim, essas coisas não deviam ser uma obrigação, mas apenas uma opção.

Descrição: Culto público. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Em primeiro lugar, é bom lembrar que a palavra liturgia vem do termo grego leitourgía e significa serviço ou trabalho público. Com o tempo, passou a ser considerado também como serviço público religioso. Liturgia do culto público é, pois, a realização do culto comunitário promovido pelos líderes das igrejas. O culto público é uma espécie de serviço que uma igreja presta ou oferece ao povo para que todos possam cultuar a Deus. O conjunto de práticas e elementos usados na celebração do culto público como: as orações, os gestos, os paramentos, os cânticos, os objetos sagrados, as cores, o templo, etc, tudo compõe a liturgia do culto.[1], [2], [3], [4].

 

É claro que Jesus não estabeleceu nenhuma liturgia relacionada ao culto público para os seus seguidores. Mas mesmo assim, com o tempo, os chamados pais da Igreja resolveram prestar serviços religiosos para as pessoas, criando uma série de atividades ritualísticas, que deram origem ao culto público das diversas igrejas. Eles pegaram a ceia que Jesus realizara com o seus discípulos, a interpretaram de forma equivocada e injetaram nela elementos do judaísmo e formalidades da cultura romana, dando origem a um culto solene que tem escravizado a cristandade.

 

Jesus e os apóstolos...

...não criaram...

...a liturgia do culto público

Então, de onde ela surgiu?

Os chamados pais da Igreja...

...criaram...

Descrição: Origem do culto público. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Resumo crítico da história da liturgia do culto público.

 

A partir de agora, vamos ver, passo a passo, como tudo aconteceu.

 

·      Desde os tempos primitivos, observando a história dos povos, podemos observar que todos prestaram cultos a uma ou mais divindades. Praticamente todos tiveram pessoas especializadas, realizando tarefas sacerdotais com o objetivo de ajudar as pessoas a cultuarem os seus deuses. [5]. Sacrifícios e outros rituais, templos, altares, objetos sagrados, roupas sacerdotais, fórmulas, etc. sempre foram coisas muito comuns, usadas pelos sacerdotes para prestarem auxílio ao povo na realização de cultos divinos. 

 

 

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Descrição: Culto ao bezerro de ouro. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

·      Desde o tempo de Moisés, por volta do século XV a.C. (data incerta) os hebreus, também conhecidos como israelitas ou judeus, cultuavam a Deus com uma série de coisas. Eles tinham um santuário, que depois foi substituído por um templo construído em Jerusalém. Nesses locais, eles tinham um altar com fogo, tanque com água, candelabro, mesa  com pães, incensário, arca sagrada, sacerdotes com roupas especiais, etc. No tabernáculo, e depois no templo, usando essas coisas, eles cultuavam a Deus, oferecendo sacrifícios de animais, oferecendo alimentos, queimando incenso, fazendo libações de vinho e outras coisas mais. Tudo isso fazia parte da liturgia do culto judaico. [6], [7], [8].

 

 

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Descrição: Cena da liturgia do culto público judaico. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

·      No século VI a. C., os israelitas, depois de serem dominados pela Babilônia, ficaram sem o templo de Jerusalém e tiveram que arrumar outro local para o culto. Então eles criaram as sinagogas. Depois eles foram libertos da Babilônia e voltaram para sua terra e reconstruíram o templo. [9], [10]. A partir de então, além dos trabalhos religiosos no templo, eles continuaram com os cultos nas sinagogas, onde a liturgia era da seguinte forma:

 

 

1.     Shemá ou confissão da fé lendo Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21 e Números 15:37-41; [11]

2.     Oração;

3.     Leitura de textos da Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia (Gêneses, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.);

4.     Leitura de textos dos profetas;

5.     Discurso sobre os textos lidos;

6.     Salmos também eram cantados. [12], [13].

 

 

·      No primeiro século, Jesus andou com os seus discípulos ensinando, na pratica, como eles deveriam ser. Não havia nenhuma reunião solene. Lendo os evangelhos, podemos ver que ele, no pátio do templo de Jerusalém, nas casas, na praia, no monte, no barco, de pé ou assentado, ensinava as pessoas. Na verdade, Jesus e os primeiros cristãos não fizeram nada disso que muitos têm feito. Ele sempre ensinava os seus discípulos em qualquer lugar e, discretamente, orava a Deus. Não o vemos fazendo nenhum show de oração como muitos fazem. O seu viver diário, estampado nas páginas dos quatro evangelhos, nos mostra que ele tinha comunhão constante com Deus, independente de qualquer lugar e de qualquer liturgia. Mostrou-nos que Deus é Espírito e que podemos buscá-lo em qualquer lugar, sem nenhum ritual repetitivo. Ele disse: “... a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. (João 4.21, RC.) [14] E continuou: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4.23-24, RC.) [15] Podemos ver que ele desejou libertar o seu povo da liturgia do templo judaico e a todos de qualquer outra liturgia religiosa.

 

Desde a Antiguidade, os povos semitas tinham o costume de realizar uma festa em família, onde todos comiam juntos. Moisés, para comemorar a saída dos hebreus do Egito, instituiu uma festa desse tipo, que foi chamada de Páscoa. (Êxodo 12.1-20.) [16]. Era uma ceia comemorativa, realizada em família, nas casas, da seguinte forma:

 

 

1.     O chefe de família abençoava o vinho e servia o primeiro cálice com vinho para todos.

2.     Depois ele lavava as mãos em uma bacia com água e enxugavam-nas numa toalha.

3.     Na sequencia, oferecia ervas amargas para todos comerem.

4.     Depois era servido o segundo cálice de vinho.

5.     Na continuação, recitavam a primeira parte do Halel (Salmos 112 e 114 ou 111 e 113 conforme a tradução). [17]

6.     Logo depois, todos lavavam as mãos.

7.     Em seguida, era servido pão sem fermento com ervas amargas molhadas em um molho.

8.     Depois era oferecido o terceiro cálice com vinho.

9.     Finalmente era servido o quarto cálice.

10. Por último, era cantada a segunda parte do Halel (Salmos 114-118 ou 113 -117 conforme a tradução.). [18], [19], [20].

 

 

Nessa ocasião, como já foi dito em outra mensagem, Jesus e os seus discípulos, formando uma família espiritual, cearam juntos. (Mateus 26.17-30; Marcos 14.12-26; Lucas 22.7-20; 1 Coríntios 11.23-34.) [21] Ele fez aquele mesmo gesto que os pais de família faziam, oferecendo o pão e o vinho para os participantes. Através desse gesto, ele demonstrou que a sua carne e o seu sangue eram como se fossem pão e vinho que estavam sendo oferecidos para todos os que nele cressem. As verdades que ele pregava e que entravam em choque com a religião dos judeus iriam causar a sua morte. Os judeus achavam que ele blasfemava ao pregar e viver o seu evangelho. (Mateus 9:3; 26.65; Marcos 2.7; 14. 64; Lucas 22:65; João 10:33.) [22] Quem blasfemava o nome do Senhor era punido com a pena de morte. (Levítico 24.15-16.) [23] Jesus sabia que ao contrariar as tradições do seu povo, ele seria tratado como um blasfemo e seria morto. Mas alguém precisava, sem covardia, dizer verdades libertadoras, mesmo custando a vida. Esse seria um sacrifício agradável a Deus.  “... Cristo nos amou e deu a sua vida por nós, como uma oferta de perfume agradável e como um sacrifício que agrada a Deus!” (Efésios 5:2, NTLH.) [24] E para que seus discípulos jamais se esquecessem dessa sua obra de amor e coragem em prol da humanidade, ele destacou o pão e o vinho para servirem de lembrança sua. Ele disse para os seus discípulos que, ao comerem pão e beberem vinho, para se lembrarem dele. Não foi a primeira missa como muitos têm ensinado. Foi apenas uma reunião de confraternização com belos ensinos, usando um costume antigo. Ele não instituiu uma cerimônia religiosa. Apenas aproveitou a tradicional refeição pascoal dos judeus para indicar o pão e o vinho como símbolos do seu corpo e do seu sangue. Não estava instituindo um sacramento ou ritual solene como muitos pensam e fazem. Na verdade, ele disse que os seus seguidores devem se lembrar dele todas as vezes que for comer pão e beber vinho.

 

 

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Desc.: A última ceia. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

 

Eu mostrei esse acontecimento porque a missa e os cultos das igrejas tiveram origem a partir dessa ceia, que, na verdade, não tinha nada a ver com o que andam fazendo por ai. Tudo isso foi mistificado, deturpado, transformado, criando o que Jesus não mandou.

 

Você já ouviu muitas coisas e é livre para seguir o que quiser. A vida é sua, e ninguém possui o direito de impor nada. Eu apenas quero dar a você a oportunidade de conhecer aquilo que muitos não dizem. Não estou tentando tirar ninguém das igrejas. Não estou fazendo proselitismo. Não tenho uma igreja institucionalizada para arrebanhar ninguém. Se a verdade é importante, então, vamos em frente.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br