Títulos religiosos (parte II)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Continuando, apresentaremos mais títulos criados nas igrejas, ao longo dos séculos.

 

·       Os bispos, patriarcas, escritores, apologistas e teólogos que desenvolveram as doutrinas e os rituais da Igreja foram chamados de pais e doutores da Igreja. Alguns, os nomes grifados de azul, foram considerados como os Doutores da Igreja. [1], [2], [3], [4]. São eles:

 

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Descrição: São Jerônimo, em seu estudo. Data: 1451. Artista: Antonio da Fabriano II (italiano, ativo 1451-1489). Fotógrafo: Walters Art Museum:  Fonte e licença DP.

 

·       Século I.

·       Inácio de Antioquia, o 3º patriarca de Antioquia.

·       Clemente de Roma, o 4º bispo de Roma.

·       Século II.

·       Policarpo de Esmirna, bispo dessa cidade.

·       Justino Mártir, filósofo e teólogo, que fundou uma escola em Roma.

·       Teófilo de Antioquia, o 6º patriarca, teólogo, escritor cristão, apologista.

·       Irineu de Lyon, bispo e escritor.

·       Entre os século II e III.

·       Hipólito de Roma, teólogo romano.

·       Clemente de Alexandria, filósofo, teólogo e apologista.

·       Tertuliano, apologista, teólogo de Cartago.

·       Século III.

·       Orígenes, professor, teólogo e célebre escritor cristão de Alexandria, Egito.

·       Cipriano, bispo de Cartago, orador e escritor.

·       Século IV.

·       Eusébio de Cesaréia, bispo, historiador e teólogo.

·       Hilário de Poitiers, bispo e teólogo.

·       Santo Atanásio, nascido na região da Alemanha, que se tornou diácono e depois o 20º bispo de Alexandria e Doutor da Igreja.

·       Efrém da Síria, compositor de hinos e louvores a Maria, teólogo e diácono.

·       Cirilo de Jerusalém, diácono, depois padre e por fim patriarca.

·       Basílio de Cesaréia, bispo, teólogo e Doutor da Igreja.

·       Gregório Nazianzeno, 34º patriarca de Constantinopla, teólogo, escritor cristão e Doutor da Igreja.

·       Gregório de Nissa, bispo e teólogo.

·       Ambrósio de Milão. Bispo e Doutor da Igreja.

·       João Crisóstomo, 36º patriarca de Constantinopla, eloquente pregador e Doutor da Igreja.

·       Pedro de Sebaste, teólogo e bispo.

·       Entre os séculos IV e V.

·       Cirilo de Alexandria, 24º patriarca de Alexandria, Egito, chamado de Doutor mariano.

·       Jerônimo, Doutor da Igreja, que fez a tradução da Bíblia para o latim, conhecida como Vulgata.

·       João Cassiano, teólogo.

·       Paulino de Nola, bispo.

·       Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, Itália e Doutor da Igreja.

·       Epifânio, bispo de Salamina e escritor.

·       Agostinho de Hipona, bispo, teólogo, filósofo, apologista e Doutor da Igreja.

·       Século V.

·       Leão Magno, 45º papa e Doutor da Igreja.

·       Século VI.

·       Bento de Núrcia, superior de várias comunidades monásticas.

·       Venâncio Fortunato, poeta e compositor de hinos.

·       Gregório Magno, 64º papa e Doutor da Igreja.

·       Século VII.

·       São Máximo. Teólogo.

·       Ildefonso de Sevilha, bispo e Doutor da Igreja.

·       Entre os século VII e VIII.

·       São Germano, 74º patriarca de Constantinopla.

·       João Damasceno, bispo, teólogo e Doutor da Igreja.

 

·       Títulos para os mortos. Nem os mortos escaparam. A Igreja resolveu divinizar certas pessoas e assim, ao longo de um processo de canonização, elas recebem vários títulos:

 

·       Primeiro de Servos ou Servas de Deus. [5].

·       Depois de Venerável. [6].

·       Em seguida, de Beato ou Beata. [7]

·       Por fim, de Santo ou Santa. [8], [9].

 

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Descrição: Farisaísmo moderno. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       Entre protestantes e evangélicos não tem sido diferente. Depois da Reforma no século XVI, Calvino e Lutero não quiseram continuar usando os títulos católicos de padre e sacerdote e criaram os seguintes títulos:

 

·       Pregador;

·       Ministro e

·       Pastor. O título de pastor ganhou destaque a partir do século XVIII. [10].

·       Reverendo (aquele que é digno de reverência). Esse título também se tornou comum entre protestantes e evangélicos.

 

Muitos outros títulos de honra foram criados. Alguns são bem modestos, enquanto outros são verdadeiras denominações de glórias e honras especiais. Alguns que viajam pregando o evangelho são chamados de missionários. Muitos, por ai, estão usando expressões engrandecedoras como: “o maior pregador de libertação”, “o grande homem de Deus”, “o maior pregador dos últimos tempos” e outras parecidas. Alguns, tentando ser mais modestos, se conformam com a expressão: “um dos maiores.” Todavia não abrem mão dos títulos honoríficos. Encontramos aqueles que adoram ser chamados de doutores ou reverendos. Faculdades teológicas estão oferecendo títulos honoríficos como: Honoris Causa de Doutor em Divindade para aqueles que se destacaram no meio gospel. A expressão latina “honoris causa” significa “para a honra.” Aqueles que viajam pregando em grandes conferências gostam do título de conferencista. Os que pregam em vários países não deixam de dizer que são conferencistas internacionais. Uns adotaram o título de profeta. Outros não se conformam com o dom de ensinar e querem ser chamados de mestres.

 

Muitos adoram ser anunciados pelo título. Ficam inchados, cheios de si, engrandecidos quando são apresentados. Adoram o marketing pessoal. Fingem que estão anunciando o evangelho, mas, na verdade, anunciam a si mesmos. Também pudera, pois sempre encontram bajuladores por todos os lados. Alguns, com voz de trovão, com aquele tom grave diz: “O grande homem de Deus!”

 

Ufa! Chega de tantos títulos. Jesus não inventou essas coisas. Nada foi idéia dele, mas influências romanas. Cá pra nós: o influxo foi romano, mas a Igreja foi bem mais longe, se tornou mestre nesse costume e mandou toda a sua hierarquia para um pódio de múltiplos degraus.

 

Todos esses títulos não passam de antropolatria (o ato de cultuar o ser humano). Pura vaidade. Os apóstolos, os presbíteros e os diáconos da igreja primitiva eram chamados simplesmente pelo nome. Como já foi dito, não colocavam nenhum título antes, como muitos têm feito. Todo esse arsenal de títulos poderia causar inveja em qualquer nobre medieval.

 

 

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Descrição: Os títulos eclesiásticos. Data: Junho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Se Jesus reprovou os fariseus que gostavam de ser chamados de Rabi, será que ele não condenaria todos esses nomes de honra? Ah, se fosse hoje, o discurso de Jesus em Mateus 23.1-12 teria que ser bem mais extenso. Ele se preocupou com os títulos de Rabi, Pai e Mestre (Guia) usados pelos fariseus. Hoje temos que nos preocupar com essa avalanche de títulos que encobrem a simplicidade e a humildade do verdadeiro evangelho.

 

Jesus nos mostrou que é possível ter uma religião livre de qualquer organização religiosa. Sendo assim, não precisamos de nenhuma hierarquia de líderes com diversos títulos. Também não devemos correr atrás de nomes honoráveis. A modéstia é muito importante e derruba o nosso orgulho. A mensagem de Jesus é simples e é para ser vivida. Não é nenhuma organização cheia de honrarias e posições diversas.

 

Ninguém pode ofender nenhuma pessoa que tenha algum título desses por ai. Alguns, apesar do título, são pessoas humildes. Carregam o termo apenas por causa da tradição. Como é difícil saber quem é humilde e quem é orgulhoso, então é bom deixar o julgamento para Deus. Estamos dizendo tudo isso para esclarecer a verdade e voltar às origens do evangelho, mas não precisamos ofender ninguém dizendo que são pagãos, servos do Diabo ou coisa parecida. Lembre-se: muitos são vítimas do sistema e merecem o nosso respeito e a nossa compreensão para que tenham forças para sair de tudo isso.

 

De que adianta cara de humildade se o coração carrega vaidade? Quem trabalha na obra de Deus deve ser honrado, isto é: respeitado ou estimado, mas não com palavras de louvor, lisonjas e títulos honoríficos.

 

Talvez você esteja questionando: quem é Maralvestos? Um doutor, um mestre, um apóstolo, um bispo, um padre, um pastor, um reverendo?... Não! Nada disso. Não sou um profeta Isaías, nem um João Batista, mas também sou uma voz que clama no deserto (nesse deserto de virtudes cristãs) e não sou digno desatar as sandálias do Mestre. Estou fazendo o que posso e o que penso para mostrar a verdade para todos, embora, diante de Deus e diante de tantas pessoas bem instruídas, sei que nada sei. Todavia sei que devo semear o bem, independente de qualquer título religioso.

 

Jesus não deu nenhum título honorífico para ninguém. Por isso, nós também não temos títulos honoríficos. Pedimos que cada um assuma a sua função na obra de Deus, de acordo com o dom que tem. Mas ninguém precisa e nem deve usar nenhum título junto ao seu nome. Cada um já tem um nome registrado no cartório e não precisa de nenhum título para ser identificado. Títulos, na verdade, têm sido usados para dar honras e glórias. Essas coisas é Deus quem nos dá. Títulos honoríficos nos elevam e nos derruba. A humildade nos engrandece e nos eleva diante de Deus e de todos.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br