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Templos (parte V)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Ainda no século VI a. C., O Império Persa venceu o Império da Babilônia. Dessa forma, o território que antes era Reino de Israel e que estava sob o domínio da Babilônia passou para esse novo Império. E o povo, mesmo não tendo sua nação de volta, ganhou a liberdade para poder voltar para Jerusalém e reconstruir o antigo templo. [1]

 

Templo de Zorobabel, o segundo templo. [2], [3] Mesmo havendo as sinagogas, o templo foi reconstruído por Zorobabel, que na época era o governador de Judá. (Esdras 3 e 6; Ageu 1 e 2.) [4] Os que voltaram para Jerusalém, sob a liderança desse homem, com o objetivo de reconstruir o templo receberam ofertas de prata e ouro, mantimentos e gado e também ofertas para apresentarem no Templo de Deus, em Jerusalém. E os objetos sagrados que Nabucodonosor havia saqueado foram devolvidos para eles. (Esdras 1) [5]

 

 

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Descrição: O rei Ciro da Pérsia devolve os objetos sagrados do templo. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Os edificadores lançaram as bases da nova casa de Deus. Sacerdotes tocaram trombetas. Levitas repicaram címbalos. E houve brados de louvor e grande choro.  (Esdras 3.10-13.) [6] E o profeta Ageu animou a todos dizendo: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Ageu 2:9, RC.) [7] Depois de 70 anos após a destruição do templo pelos babilônios, finalmente os hebreus puderam ver o seu edifício religioso de volta. [8] Alguns tentaram impedir. Mas não foi possível parar a obra. (Esdras 4; 5; 6.) [9]

 

Mais adiante, Esdras e outro grupo de pessoas também voltaram trazendo mais ajuda. (Esdras 7; 8.) [10] Todavia, o muro e os portões de Jerusalém ainda estavam destruídos, e o povo deixou a obra de Deus desleixada. Então, Neemias também veio da Pérsia com outro grupo e acabou de concluir a reforma. E Esdras completou o trabalho realizando uma reforma religiosa, restabelecendo o cumprimento da lei de Moisés. [11]

 

 

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Descrição: O Segundo Templo judeu. Modelo no Museu de Israel. Data: 1/08/2008. Autor: Ariely. Fonte. Licença CC BY.

 

O novo templo não tinha a mesma glória do primeiro, mas também tinha seu santuário com o Lugar Santo e o Santo dos Santos, além de outras coisas determinadas por Moisés. Além disso, também foram feitas outras partes acessórias. Mas apesar de tudo isso, parece que os hebreus não conseguiram recuperar a antiga Arca da Aliança. Após a invasão de Nabucodonosor, que saqueou o templo de Salomão, nunca mais foi citada a sua existência.  Apenas o livro de Macabeus trás uma rápida citação duvidosa. (2 Macabeus 2:4-8.) [12], [13], [14]

 

Veja, no plano a seguir, como era esse novo templo.

 

 

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01. Pátio dos gentios. 02. Pátio das mulheres. 03. Pátio dos israelitas. 04. Pátio dos sacerdotes. 05. Repartições diversas. 06. Altar de sacrifícios. 07. Pórtico. 08. Santo Lugar. 09. Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar. [15], [16], [17], [18], [19], [20], [21], [22], [23]

Descrição: Segundo templo. Data: abril/2013.  Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Apesar de todo esse esforço, essa grande obra não permaneceu intocável. Esse novo templo sofreu outras invasões e vários estragos causados pelas guerras. [24]. Jesus disse para não acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. (Mateus 6:19.) [25] Bronze não pode ser consumido pela traça. A prata e o ouro não enferrujam. Mas tudo isso atraem os ladrões e atraiam reis sedentos de tesouros. E eles vieram.

 

No século IV a.C., Alexandre Magno do Império da Macedônia conquistou o Oriente. Todas as terras do Império Persa foram anexadas ao império de Alexandre, que morreu logo em seguida. O seu vasto território foi dividido entre os seus generais. A região do povo de Israel, a Palestina, foi disputada entre duas dinastias: a ptolemaica contra a selêucida. E povo hebreu ficou no meio do “fogo cruzado”, dominado por essas dinastias por mais de 200 anos. [26]. Em 168 a.C., Antíoco Epífanes saqueou Jerusalém e o Templo, suspendeu os sacrifícios diários e colocou uma imagem de Zeus sobre o altar. (Zeus, segunda a crença dos gregos, era o deus supremo, identificado com o Júpiter romano) [27] Além disso, ainda matou muitos judeus e queimou cópias das Escrituras Sagradas.

 

Logo em seguida, em 167 a.C., aconteceu a revolta das macabeus. Dessa forma, houve um período de cerca de cem anos de liberdade, quando as atividades no templo foram restauradas. Mas o Império Romano queria conquistar todo o Oriente. Então, em 63 a.C., o general romano Pompeu invadiu Jerusalém, entrou no templo e foi até o Santo dos Santos, um lugar que somente o sumo sacerdote podia entrar.  [28], [29], [30], [31], [32], [33], [34]·. Pouco tempo depois, Herodes, o Grande, tornou-se rei da Judéia, abaixo do Imperador Romano. [35], [36]

 

Templo de Herodes, o terceiro templo. [37], [38] Para conquistar a popularidade dos judeus, esse homem iniciou a reconstrução do templo de Zorobabel que se encontrava machucado por diversas batalhas. Foi concluída em 62 depois de Cristo. Esse foi o templo da época de Jesus e dos apóstolos. [39], [40], [41], [42], [43], [44], [45], [46], [47], [48], [49], [50], [51], [52]

 

 

 

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Descrição: O Segundo Templo judeu. Modelo no Museu de Israel. Data: 22 de novembro de 2007. Autor: Chris Yunker. Fonte. Licença CC BY.

 

Templo de Ezequiel. Como já foi dito, a Babilônia dominou as terras dos hebreus e levaram muitas pessoas cativas para a Mesopotâmia. Elas foram colocadas num assentamento, próximo ao rio Quebar. Entre os exilados, estava o sacerdote e profeta Ezequiel. (Ezequiel 1.1-3.) [53] Quatorze anos depois que Jerusalém e o seu templo foram destruídos, esse profeta, teve visões, onde descreveu um novo modelo de templo. [54], [55] Parecem instruções para a reconstrução do templo. Mas quando essa reforma aconteceu sob a direção de Zorobabel, a planta não foi seguida de acordo com as descrições desse profeta. Por isso, muitos acham que essa foi a visão do próximo templo, que será edificado novamente em Israel, no fim dos tempos, com sacrifícios de animais, sacerdotes, etc. Há rumores dizendo que os israelitas já estão se preparando para isso. [56], [57], [58], [59], [60] Mas outros contestam, afirmando que a profecia deve ser interpretada no sentido alegórico ou espiritual.  Um novo templo com práticas da lei de Moisés não combinaria com o evangelho de Jesus, quando as práticas da lei de Moisés foram abolidas. Sendo assim, não faz sentido um novo templo com antigos rituais. [61], [62], [63]. Fica, assim, um enigma no ar e mais uma brecha pra dividir ainda mais a cristandade. E assim vão surgindo igrejas-templos por todos os lados, ajuntando e, ao mesmo tempo, dividindo pessoas.

 

Observe como seria o templo na visão de Ezequiel.

 

 

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01. Muralha exterior. 02. Portão leste. 03. Portão norte. 04. Portão sul. 05. Pátio exterior. 06. Calçada de pedras. 07. Pátio interior. 08. Portão sul do pátio interior. 09. Portão leste do pátio interior. 10. Portão norte do pátio interior. 11. Sala para lavar animais. 12. Salas para os sacerdotes. 13. O templo propriamente dito. 14. Edifício oeste. 15. Edifício norte. 16. Edifício sul. 17. Pátio das cozinhas. 18. Altar. 19. Colunas. 20. Salão de entrada. 21. Salão central. 22. Santo dos Santos. 23. Espaços livres. 24. Cômodos anexos.

 

Descrição: Templo de Ezequiel. Data: abril/2013.  Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Mais um templo com rituais da lei de Moisés poderá ser edificado. E a igreja poderá passar por uma judaização ainda maior em detrimento do verdadeiro evangelho, que já foi bastante deturpado. Do jeito que as coisas andam, estamos correndo o risco de ver pessoas praticando sacrifícios de animais nas igrejas.

 

É claro que o grande Deus do Universo, o Senhor das incontáveis galáxias, dos trilhões de astros espalhados nesse espaço de trilhões de anos-luz não precisa ficar restrito a um templo, perdido entre as montanhas desse planeta. Com todo poder que tem, se ele precisasse mesmo de uma morada, nem Nabucodonosor, nem Antíoco ou Pompeu, ninguém conseguiria invadir aquele lugar sagrado. Mas ele não precisa de construções humanas.

 

O santuário de Moisés e o templo de Jerusalém eram imitações de templos de outras religiões antigas. Não eram novidades. A inovação que encontramos foi a adoração do único Deus, não representado por imagem de escultura humana ou animal. Mas a verdadeira novidade, a boa nova de verdade foi Jesus quem trouxe para todos. Ele nos libertou dos templos.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br