Sacerdotes (parte I)

Livres dos Fardos Religiosos

 

As diversas religiões antigas tinham sacerdotes. Moisés também criou um corpo de sacerdotes para o seu povo, os hebreus. Mas Jesus mudou tudo, simplificando as coisas, criando uma nova maneira para o ser humano se aproximar de Deus. Segundo a doutrina cristã original, todos nós somos sacerdotes. Isto quer dizer que todos nós podemos nos aproximar de Deus sem nenhum intermediário humano. Apenas Jesus, por causa do seu evangelho, pode ser considerado o único mediador entre nós e Deus. Se todos nós somos sacerdotes, ele é o sumo sacerdote.

 

Já falamos um pouco sobre sacerdócio noutras mensagens. Mas o que significa sacerdote? Vamos ver isso com mais detalhes.

 

Sacerdote é a pessoa encarregada de ser um mediador entre a humanidade e o sagrado. As diversas funções ou liturgias sacerdotais são, por exemplo:

 

·       Realização de rituais diversos (rituais de iniciação, purificação, proteção, etc.);

·       Ensino religioso;

·       Realização de oferendas e sacrifícios à divindade;

·       Busca do perdão dos pecados;

·       Consultas divinas, além de outras funções. [1]

 

Divindade

Sacerdote

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O povo

Descrição: Sacerdotes eram intermediários entre o povo e a divindade. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Nas diversas culturas do mundo, dentro de várias religiões, havia pessoas com funções sacerdotais. Em cada uma, o sacerdote tinha um nome próprio. Para os medos e persas era o mago.[2] Para os hindus, brâmane. [3] Para celtas, druida. [4] Entre os etruscos, havia o arúspice. [5] No xintoísmo japonês, temos o kannushi ou shinshoku. [6]

 

 

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Descrição: Busto de um flâmine. Data: século III. Autor: desconhecido. Data da foto: 2006. Foto: Jastrow. Fonte e licença DP.

No sul da antiga Mesopotâmia, na Suméria, tudo girava em torno da classe sacerdotal. Havia diversas cidades-estados. Cada uma possuía o seu deus, seu templo e uma provável classe sacerdotal que controlava a política e a religião. O patesi era uma espécie de sumo sacerdote, que controlava a religião, a política e o exército. [7], [8], [9] As naditu eram sacerdotisas nos templos da deusa Inanna. [10]

 

Nas cidades do Império da Babilônia, havia diversos templos, cada um comandado por um sumo sacerdote chamado de enu, que controlava os sacerdotes menores. Havia também a mulher sacerdotisa chamada de entu. [11]

 

No antigo Egito, o rei, conhecido como faraó, além de chefe político, era também chefe religioso. Mas eram os sacerdotes que realizavam as tarefas religiosas em seu lugar. [12] O sacerdócio era passado de pai para filho. [13] O sacerdote era chamado de hem-netjer. [14]

 

Na antiga Grécia, nos mistérios Elêusis, o sacerdote era o hierofante.[15] Em Delfos, no templo de Apolo, ficava a sacerdotisa conhecida como pítia, ou pitonisa, ou sibila. [16], [17]

 

Na antiga Roma, cada um dos doze sacerdotes da deusa Ceres era chamado de arval. [18] E cada um dos doze sacerdotes do deus Marte era conhecido como sálio. [19] As sacerdotisas da deusa Vesta eram as vestais. [20] Havia outros sacerdotes relacionados com outros deuses denominados de flamine, pontifice, fetiale, luperci e rex sacrorum. [21], [22], [23], [24], [25].

 

Até mesmo as tribos mais primitivas tinham os seus sacerdotes. Para os índios brasileiros é o pajé. [26]. Para as tribos siberianas, o xamã. [27] Entre os africanos Jeje-nagôs, quem realizava essa tarefa era o babalaô. [28]

 

Resumindo numa tabela

 

Lista de sacerdotes

Povos

Sacerdotes

Medos e persas

Mago

Hindus

Brâmanes

Celtas

Druida

Etruscos

Arúspice

Japoneses

kannushi ou shinshoku

Sumérios

Patesi e naditu

Babilônios

Enu e entu

Egípcios

Hem-netjer

Gregos

Hierofante, pítia, ou pitonisa, ou sibila.

Romanos

Arval, sálio, vestais, flamine, pontifices, fetiale, luperci e rex sacrorum.

Índios brasileiros

Pajé

Siberianos

Xamã

Jeje-nagôs (africanos)

Babalaô

Descrição: Lista de sacerdotes de algumas religiões antigas. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Na Bíblia, encontramos a figura do sacerdote Melquisedeque de Salém. (Gênesis 14.18.) [29] E na lei de Moisés, no Antigo Testamento, encontramos diversas instruções sobre os sacerdotes da religião dos hebreus, onde podemos ver que eles usavam vestimentas especiais com muitos detalhes e cores determinadas. (Êxodo 28.) [30] Dentre os diversos sacerdotes, um era o principal, conhecido como sumo sacerdote. Os primeiros sacerdotes foram Arão e os seus filhos. (Êxodo 28.1.) [31] Assim como no antigo Egito, de onde os hebreus saíram conduzidos por Moisés, o sacerdócio era passado de pai para filho. Eles realizavam trabalhos semelhantes aos serviços religiosos dos sacerdotes egípcios. (Êxodo 29.29.) [32] Eles eram intermediários entre Jeová e os hebreus. Havia um santuário, mais tarde, um templo, dividido em duas partes por uma cortina. A parte da frente era chamada de Santo Lugar. Depois da cortina, ficava a parte de trás, chamada de Santíssimo Lugar ou Santo dos Santos. Os sacerdotes entravam todos os dias na parte da frente, no Santo Lugar, para cumprir os seus trabalhos religiosos. Mas somente o sumo sacerdote entrava na parte de trás, no Santíssimo Lugar, apenas uma vez por ano, para oferecer a Deus o sangue de animais. Com o sangue de um novilho, ele buscava o perdão dos pecados seus e da sua família. Com o sangue de um bode, buscava o perdão dos pecados do restante do povo. (Levítico 16 e Hebreus 9.) [33] Dessa forma, ele procura ser uma espécie de mediador entre Jeová e os hebreus.

 

 

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DEUS

 

Sumo sacerdote

Santíssimo Lugar ou Santo dos Santos

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Sacerdotes

Santo Lugar

O povo

 

Descrição: Sumo sacerdote. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

Descrição: O sacerdócio do Antigo Testamento. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Quando Jesus pregou o seu evangelho, ele demonstrou que para nos aproximarmos de Deus não precisamos de práticas religiosas bizarras. Segundo os seus ensinos, para uma pessoa se encontrar Deus, ela precisa se arrepender dos seus erros; precisa mudar de atitude, recomeçar uma nova vida, procurando trilhar o caminho do bem. Todo aquele arsenal de ofícios religiosos praticados pelos sacerdotes de Israel e dos diversos outros povos não tinha sentido, pois as pessoas continuavam atoladas em seus erros. Por isso, conforme o evangelho de Jesus, hoje não precisamos mais ter sacerdotes humanos para interceder por nós junto a Deus, pois Jesus, de certa forma, se tornou o nosso eterno sumo sacerdote. (Hebreus 4.14-15 e Hebreus 5.5-6.) [34] E todos nós somos sacerdotes com ele. (I Pedro 2.5 e 9; Apocalipse 1.6 e 5.10.) [35] Por isso, podemos orar a Deus uns pelos outros. (Tiago 5.16.) [36] No Novo Testamento, não há ensino dizendo que devemos ir atrás de algum sacerdote para obter o perdão dos nossos pecados.

 

Na Lei de Moisés, o sumo sacerdote era o único mediador entre Deus e os homens. Depois que o sumo sacerdote morria, outro homem era escolhido para ocupar o seu lugar. Foram muitos sumos sacerdotes porque quando morriam, naturalmente, não podiam continuar com a tarefa de mediador, sendo o lugar ocupado por outra pessoa. (Hebreus 7.23.) [37] Mas Jesus morreu, ressuscitou e vive para sempre, e o seu sacerdócio não passa para nenhum outro. E por isso ele pode, hoje e sempre, salvar os que vão a Deus por meio dele. Porque Jesus vive para sempre a fim de pedir a Deus em nosso favor. (Hebreus 7.24-25.) [38] Ele se tornou o nosso único mediador, o caminho que nos leva a Deus. (I Timóteo 2.5-6 e João 14.6.) [39]

 

DEUS

 

Jesus como sumo sacerdote

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Todos nós como sacerdotes

 

Descrição: O sacerdócio do Novo Testamento. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Os diversos sacerdotes e sacerdotisas realizavam magias com porções mágicas e até rituais macabros. Os sacerdotes instituídos por Moisés, entre os hebreus, não eram diferentes. Eles também realizavam suas magias estranhas. Veja alguns exemplos.

 

Magia para purificar uma casa. Moisés deixou escrito: “A fim de purificar a casa, o sacerdote pegará duas aves, um pedaço de madeira de cedro, lã tingida de vermelho e um galho de hissopo e matará uma das aves em cima de um pote de barro cheio de água tirada de uma fonte. Depois pegará a outra ave, o pedaço de madeira de cedro, a lã tingida de vermelho e o hissopo, e os mergulhará primeiro no sangue da ave que foi morta e depois na água fresca, e borrifará a casa sete vezes. Assim, ele purificará a casa com o sangue da ave, a água fresca, a ave viva, o pedaço de madeira de cedro, o hissopo e a lã tingida de vermelho. Depois levará a ave viva para fora da cidade e a soltará no campo. Assim, o sacerdote fará a cerimônia de purificação, e a casa ficará pura. Lendo o texto, o brasileiro poderá achar que é uma simpatia de alguma religião estranha, mas é a instrução de Moisés para a purificação de uma casa: (Levítico 14.49-53, NTLH.) [40]

 

Magia para descobrir se a mulher estava traindo o seu marido. Os hebreus acreditavam que podiam descobrir as possíveis traições de suas mulheres através de alguns procedimentos bizarros. Se o homem estivesse desconfiado da sua mulher, então, ele a levava ao sacerdote que a colocava diante do altar. O sacerdote colocava água santa num jarro, apanhava terra do chão e misturava na água. Aquela água continha uma maldição terrível. Então, com o jarro na mão, o sacerdote fazia a mulher jurar que não tinha traído o marido sob pena de sofrer as maldições contidas naquela água, caso estivesse mentindo. (Números 5.11-31) [41].

 

 

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Descrição: sacerdotes realizando ritual de transferência dos pecados para um bode expiatório. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

Magia para buscar o perdão dos pecados. Para isso era necessário um bezerro, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos eles sem defeito, dois bodes e 12 quilos da melhor farinha de trigo amassada com azeite. O sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos. Com o sangue do bezerro, ele fazia o ritual de expiação dos pecados seus e da sua família. Com o sangue de um dos bodes, fazia o ritual de expiação dos pecados do restante do povo. Com o dedo, o sangue do bezerro e do bode era borrifado numa das tampas da arca e sete vezes em frente dela. Depois, nas quatro pontas do altar, que ficava do lado de fora do tabernáculo, era passado um pouco de sangue dos dois animais. E sobre esse mesmo altar, era borrifado sete vezes a sangue dos mesmos animais. Em seguida, ele realizava um ritual de transferência dos pecados do povo para a cabeça de um bode, chamado de bode expiatório, que era mandado para o deserto. (Levítico 16.1-28; 23.7-32; Números 29.7-11.) [42]

 

Magia e a “arte, ciência ou prática que supostamente pode produzir fenômenos extraordinários e não naturais, por intermédio de fórmulas e manipulações, seres fantásticos, rituais bizarros, etc.” [43] Isso o sacerdócio das religiões antigas faziam. Os sacerdotes de Israel também faziam essas coisas, como podemos ver nos exemplos mostrados.

 

Você não encontra coisas bizarras desse tipo no evangelho de Jesus e na igreja primitiva do Novo Testamento. Jesus se tornou o nosso sumo sacerdote, e todos nós nos tornamos sacerdotes com ele. Todavia, trata-se de um sacerdócio espiritual, sem poções, sem bizarrices, sem rituais mágicos ou simpatias. Não somos uma espécie de feiticeiro gospel. Fomos libertados de tudo isso para estarmos ligados naquele que tem todo poder no céu e na terra, independente de qualquer superstição.

 

Continuaremos no próximo post

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br