Mitos religiosos

Livres dos Fardos Religiosos

 

Thor era um gigante de barba ruiva.  Possuía muita força e carregava um martelo, que representava o poder do raio. Habitava num palácio no céu, entre as nuvens escuras. Era o deus do trovão e senhor dos ventos, das nuvens e das

 

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Descrição: Thor. Data: 1901. Autores: Eduard Ade (1835-1907), Johannes Gehrts (1855-1921). Fonte e licença DP.

tormentas. Tinha a tarefa de proteger os deuses e a humanidade contra os gigantes e contra a terrível serpente do mal Jörmungandr. Essa é uma breve descrição de um dos deuses da mitologia escandinavo-germânica (norte da Europa). [1], [2].

 

Mitos são narrações fictícias, simbólica, envolvendo elementos sobrenaturais, transmitidas de geração em geração. [3]. São relatos muitas vezes exagerados e absurdos de fatos e personagens humanos e divinos de um tempo remoto, incluindo também a descrição de coisas e lugares fantásticos. São explicações para as diversas questões misteriosas como, por exemplo, o mundo foi criado e o que vai acontecer com ele no futuro. [4]. O palácio de Thor entre as nuvens, por exemplo, é simplesmente um absurdo.

 

Temos várias mitologias pelo mundo afora. As principais são:

 

·       Mitologia mesopotâmica (suméria, babilônica, assíria, etc.);

·       Mitologia egípcia;

·       Mitologia indiana;

·       Mitologia grega;

·       Mitologia céltica

·       Mitologia romana;

·       Mitologia escandinavo-germânica (nórdica);

·       Mitologia chinesa;

·       Mitologia japonesa;

·       Mitologia maia;

·       Mitologia asteca;

·       Mitologia inca, etc.

 

Mas além dessas, há muitas outras. Em toda a África, Europa, Ásia, Oceania, América e nas regiões polares, encontramos coleções de elementos mitológicos. [5]. Somente uma enciclopédia dessa natureza poderia descrever tudo. Aqui daremos apenas uma noção desse mundo de fantasias.

 

As origens dos mitos de acordo com as minhas observações

 

Muitas vezes, as pessoas criam relatos sobre as experiências que sentiram nos momentos de medo, êxtases e alucinações. Outros descrevem meras impressões que tiveram observando coisas. Ainda outros contam seus sonhos, suas fantasias e ilusões. Geralmente tudo isso é transmitido com exageros. Por outro lado, muitos contam apenas histórias fictícias simplesmente para ilustrarem algum ensinamento, como as parábolas de Jesus, que acabam sendo tratadas como histórias verdadeiras.

 

Uma história mítica pode conter elementos retirados de outras histórias. São os mitos plagiados. Por exemplo: Na mitologia grega, de acordo com o poeta Hesíodo do século VIII a.C., Pandora teria sido a primeira mulher criada por Zeus, a divindade suprema dos gregos. Ela teria sido responsável pela origem do mal sobre o mundo. Foi uma história bem parecida com o caso de Eva, a primeira mulher bíblica, que, que segundo o Gênesis, desobedeceu a Deus e acabou provocando o mal sobre a terra. [6], [7]. Ainda na mitologia grega, temos o relato sobre Deucalião. Esse homem teria escapado de um dilúvio enviado à terra por Zeus para castigar a humanidade por causa da sua depravação. Sua história é parecida com a do Noé da Bíblia que, segundo o mesmo livro, escapou de um dilúvio enviado por Deus para punir a maldade humana. [8], [9].

 

Fatos reais também podem se misturar com os mitos se transformando numa nova história bem extravagante, como é o caso de São Jorge, que já vimos em outras mensagens. É provável que ele tenha sido, na realidade, um soldado romano. Mas um fato na sua história parece ter sido uma imitação da lenda de Perseu e Andrômeda –– dois personagens da mitologia grega. Perseu salvou a princesa Andrômeda de um monstro fantástico. São Jorge também salvou uma donzela de um dragão –– um animal igualmente fantástico. [10], [11], [12].

 

Todos esses relatos, passados de boca em boca, acabam sofrendo modificações. No passado, quando ainda não havia a escrita, e mesmo ainda no período dos escritos mais rudes, muitas coisas transmitidas de geração em geração passavam por grandes deturpações. Por causa disso, muitos relatos possuem várias versões divergentes. Por exemplo: Niobe, também na mitologia grega, era filha de Tântalo. Casou-se com Anfião, rei de Tebas e teve muitos filhos. Uns dizem que eram quatorze. Homero, em sua epopéia, diz que eram doze. O poeta Hesíodo relata a existência de vinte filhos enquanto outros dizem que eram apenas cinco.  [13].

 

Nem todos os mitos fazem parte das religiões, mas é difícil encontrar uma religião que não tenha mitos. Por mais séria que seja, sempre há alguma coisa fantástica ou absurda. Geralmente as pessoas vêem mitos nas religiões dos outros e consideram como verdadeiros todos os relatos e crenças dentro da sua religião. Mas não é bem assim. Praticamente todas as religiões têm alguma coisa baseada em mitos.

 

O cristianismo, apesar de ter os ensinos de Jesus como base, está deturpado por uma série de mitos. Diversos relatos encontrados na cristandade estão carregados de suspeitas. A figura de Papai Noel é um exemplo. [14]. Não podemos negar que possam ter acontecido fatos extraordinários com muitas pessoas da Igreja, mas percebemos que muitas histórias foram incrementadas pelo gosto popular. Muitas crenças e doutrinas de diversas igrejas estão mais fundamentadas em mitos do que nos ensinos de Jesus. Ele não aprofundou em nenhuma explicação sobre cosmologia (origem do Universo) e nem sobre escatologia (destino da humanidade e do mundo) como muito estão fazendo. Algumas doutrinas dessa natureza mostram detalhes e mais detalhes que Jesus jamais mencionou. Fazem isso baseados em alguns textos isolados, fora do contexto, sob as influências de certas crenças mitológicas. O Purgatório católico, por exemplo, sem nenhum texto explícito na Bíblia para provar a sua existência, se parece com o purgatório das crenças persas, conhecido como Hamestagan. [15]. Há muitos outros exemplo que veremos em outras mensagens.

 

Jesus contou parábolas para ilustrar seus ensinamentos, mas não andou semeando nenhum mito. Os mitos do cristianismo não têm nada a ver com Jesus. Sendo assim, a nossa intenção é levar para o mundo o evangelho real e verdadeiro, despido de meras fantasias criadas ao longo dos anos.

 

Não podemos transformar toda história que encontramos por ai em artigo de fé. Precisamos tomar cuidado para não cultivar elementos religiosos baseados em fatos puramente mitológicos. Não há problemas em conhecer os mitos, mas não podemos permitir que eles nos dominem penetrando em nossa mente nos transformando em seguidores de idéias falsas. É fácil acreditar que existe um gigante morando num castelo entre as nuvens, causando chuvas e relâmpagos, mas a realidade é bem diferente das utopias. E a ciência, que muitos religiosos fanáticos detestam, mesmo sendo muito limitada diante das grandezas desse Universo, acaba provando que o Todo-poderoso é muito mais poderoso, sublime e indescritível do que tudo que foi visto em todas as religiões. E os mitos, que antes estavam nas nuvens, vão caindo por terra.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br