Leis religiosas

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Crenças (e crendices) podem se transformar em doutrinas e dogmas, e esses, por fim, poderão ser convertidos em leis.

 

Quando falamos sobre o monte Sinai, logo nos lembramos de Moisés e da sua lei. Segundo relatos, esse homem, o legislador divino de Israel, recebeu de Deus, nesse monte, diversas leis para controlar o povo hebreu, também conhecido como judeus ou israelitas. Essas leis se encontram nos livros: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. [1].

 

 

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Desc.: Moisés Descendo do Monte Sinai. (Êxodo 32.15.) Data: 1865. Autor: Gustave Doré. (1832–1883) Fonte e licença DP.  

Leis são um conjunto de normas que emanam de um poder soberano para controlar a conduta de uma sociedade, estabelecendo punições para os desobedientes. [2]. Leis religiosas são normas impostas por alguma liderança religiosa, sob a alegação de serem regras recebidas de alguma divindade. São normas exigidas por alguma autoridade religiosa que fiscaliza o seu cumprimento e pune quem as desobedece. A lei de Moisés é um exemplo muito conhecido.

 

Diversas leis reunidas são chamadas de código.[3]. Não são meros preceitos. São diversos regulamentos reunidos (compilados) de forma muito mais organizada.

 

Na Antiguidade, as leis já existiam. Mas elas não eram escritas. Eram transmitidas oralmente e eram tidas como sagradas. Com o tempo, elas tiveram que ser escritas para evitar esquecimentos e equívocos. Alguns líderes (sacerdotes, reis), considerados representantes divinos, foram as pessoas que escreveram as antigas leis. [4], [5].

 

Código de Ur-Nammu. Cerca de 2000 anos a.C., na Suméria, Ur-Nammu, além de construir templos (zigurates) também criou um conjunto de leis, onde existiam algumas normas a serem seguidas sobre, por exemplo, fuga de escravos, adultério e falso testemunho. [6].

 

O código de Hamurabi. No século XVIII a.C., na Babilônia, Hamurabi tornou-se rei e criou um código de leis para todos os seus súditos, baseado em antigas leis dos sumérios. É o mais antigo código penal escrito da história e contém 282 artigos. No prólogo do texto, ele citou os diversos deuses, dos quais supostamente recebera o poder para governar. Observe o texto inicial: "Quando o alto Anu, Rei de Anunaki e Bel, Senhor da Terra e dos Céus, determinador dos destinos do mundo, entregou o governo de toda humanidade a Marduk; quando foi pronunciado o alto nome da Babilônia; quando ele a fez famosa no mundo e nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do céu e da terra, por esse tempo Anu e Bel me chamaram a mim, Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar a justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do fraco pelo forte, para iluminar o mundo e propiciar o bem-estar do povo.” [7], [8].

 

Código de Manu.  A Índia, habitada há mais de 2500 anos antes de Cristo pelos drávidas ou dravidianos, por volta de 1750, foi invadida e dominada ao norte pelos arianos vindos da Pérsia. Com base em suas tradições religiosas, conhecidas como hinduísmo, os arianos formaram a civilização hindu. Os sacerdotes dessa religião, que são conhecidos como brâmanes, estabeleceram as leis por meio do Código de Manu. [9] [10] [11] [12] [13].

 

Direito romano. No princípio, para os romanos, o direito era algo sagrado. Os sacerdotes da religião romana, da classe dos patrícios, conhecidos como pontífices, e outros representantes patrícios, controlavam as leis, guardando-as em segredo e as executando especialmente contra os plebeus, que era uma classe inferior. Em meados do século V a.C., surgiu, enfim, a lei escrita em doze tábuas (Lei das Doze Tábuas) deixando de ser segredo nas mãos dos sacerdotes. [14], [15].

 

A lei de Moisés. No século XIII ou XV a.C. (data imprecisa), Moisés tirou o povo hebreu do Egito e criou leis religiosas para dirigi-los na terra de Canaã. Os livros atribuídos a Moisés: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio contêm relatos, leis morais, leis sociais, leis de saúde, leis civis e leis cerimoniais. Segundo esses livros, Jeová, a divindade dos hebreus, deu a lei para que ele pudesse governar o seu povo. [16]. A obra foi feita usando nome de Deus, mas se prestarmos bem a atenção, usando a sabedoria, podemos ver que existe a obra do homem falho naquela lei, embora usando o nome do Senhor. É preciso ter discernimento e bom senso. Nela existe a verdadeira lei de Deus misturada com a lei dos homens. Por exemplo:

 

·       A lei de Moisés autorizava que as filhas dos hebreus fossem comercializadas como escravas. Um absurdo e tanto. (Êxodo 21.7-8.) [17].

 

·       Dizia que o seu povo tinha autorização para ter escravos e até repassá-los aos filhos como herança. Talvez você nunca tenha achado isso estranho, pois aqueles escravos não eram seus filhos. Entre eles não estavam o seu pai e você. (Levítico 25.44-46) [18].

 

·       A mesma lei dizia para o seu povo escravizar estrangeiros, fazer guerras, capturar mulheres, crianças, animais e objetos de valor. Você acha isso correto? (Deuteronômio 20.10-15.) [19].

 

·       Essa lei determinava sacrifícios de animais em diversas ocasiões e circunstâncias. Isso era um costume dos diversos povos da Antiguidade que Moisés copiou. Não era nenhuma novidade. Mas Jeremias disse, em nome do Senhor: “Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que vos tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. Mas não ouviram, nem inclinaram os ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás e não para diante.” (Jeremias 7:22-24, RC.) [20].

 

·       Nessa lei tinha muitas coisas copiadas de outras religiões e culturas antigas como: dízimo, sacerdócio, templo, rituais diversos e outras coisas que não eram exclusivas dos hebreus. Antes de Moisés, já havia esses costumes em outras religiões antigas. Veremos isso em outras mensagens.

 

·       A referida lei tinha algumas semelhanças com o código de Hamurabi, rei da Babilônia, no século XVIII a.C. Por exemplo: a lei de Talião, presente no código de Hamurabi, que consiste em fazer mal a quem nos faz mal, conhecido popularmente como “olho por olho, dente por dente” é basicamente a mesma na lei de Moisés, onde lemos: “Quando também alguém desfigurar o seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.” (Levítico 24.19-20, RC.) [21]. No código de Hamurabi, nos artigos 196º e 197º diz: “Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho. Se ele quebra o osso a um outro, se lhe deverá quebrar o osso.” [22], [23].

 

·       A novidade foi a adoração do único Deus e ausência de ídolos. (Deuteronômio 5.7-9) [24]. Mas na prática, até mesmo essas coisas ficaram apenas no “papel”. Moisés fez uma serpente de bronze. (Números 21.4-9.) [25]. Fez também querubins sobre a arca da aliança. (Êxodo 25.18-20; 37.7-9.) [26]. Essas esculturas foram contraditórias.

 

·       Havia preconceito contra aqueles que tinham certas necessidades especiais e alguns tipos de doenças. Esses não podiam realizar certas tarefas no templo. Eram eles: pessoas cegas, coxas, de nariz chato, de membros demasiadamente compridos, com o pé ou a mão quebrados, corcundas, anões, com belida (mancha esbranquiçada na córnea), com sarna, impigens ou com testículo lesado. (Levítico 21.16-24.) [27]. Todos esses, preconceituosamente, foram excluídos de certas tarefas religiosas. Acreditava-se que Deus não se agrada de pessoas assim, realizando certos rituais. (Deuteronômio 23.1-3.) [28].

 

·       Também encontramos preconceitos contra a mulher. Quando uma mulher dava à luz a um menino, ela era considerada imunda por sete dias e depois mais trinta e três dias. Mas se fosse menina, então o tempo era dobrado. Quatorze dias mais sessenta e seis. A menstruação também era vista com preconceito. (Levítico 12:2-5; Levítico 15.19-24.) [29].

 

·       Além disso, essa lei tinha contradições. Por exemplo: num lugar, dizia para não matar. (Êxodo 20.13.) [30]. Em outros, mandava matar. (Êxodo 31.14; Números 15.32-36.) [31]. Num lugar, mandava tratar os estrangeiros bem. (Êxodo 22.21; Êxodo 23.9; Deuteronômio 10.19.) [32]. No outro, mandava massacrar, escravizar e raptar virgens dos outros povos. (Êxodo 23.23; Deuteronômio 7.1-4; 20.10-17.) [33]. Falava contra a vingança e defendia o amor. (Levítico 19:18.) Mas como já vimos, apoiava a vingança e diversos atos de desamor. Dizia: “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.” (Deuteronômio 24.16, RA.) [34]. Mas na prática, baseados na lei, pessoas inocentes foram mortas. (Josué 6 e 7; 2 Samuel 21.) [35].

 

·       Declarava também, aquela lei, que se um homem estuprasse uma virgem descomprometida (solteira e sem noivo) teria que realizar o pagamento de 50 ciclos de prata (571 gramas) para o seu pai, e a virgem seria sua esposa para o resto da vida. Não podia abandoná-la. Isso quer dizer que uma garota judia, bonitinha, atraente tinha o valor do estupro tabelado em 571 gramas de prata. Se fosse a sua filha, como se sentiria, ao ver que ela deveria viver o resto de sua vida com o seu estuprador? E o que faria com a prata? (Deuteronômio 22.28-30.) [36], [37]. Um estuprador era perdoado apenas pagando uma multa, enquanto matavam pessoas por causa de coisas fúteis e até inocentes, como aquele homem que foi apedrejado porque apanhara lenha num dia de sábado. (Números 15.32-36.) [38]

 

Reino de Israel

Lei de Moisés: uma mistura de:

Lei de Deus

Lei dos homens

 

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Descrição: Lei de Moisés: a lei de Deus misturada com a lei dos homens. Data: fevereiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

Essa não era a verdadeira lei de Deus. Era a lei de Deus misturada com a lei dos homens. Uma lei imperfeita, onde o dedo do homem tinha sido colocado. Jesus provou isso quando fala sobre o divórcio, mostrando que Moisés o permitiu sem escrúpulos por causa da dureza do povo. (Mateus 19.3-9.) [39]. Na lei de Moisés, o homem podia dar carta de divórcio à sua mulher caso não agradasse dela depois de casado. “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então, será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua casa.” O homem tinha esse direito. A mulher era despejada de sua casa apenas por motivos fúteis. (Deuteronômio 24.1, RC.) [40].

 

Nessa lei, encontramos a verdadeira lei de Deus misturada com a lei do homem pecador. Por isso, há nelas muitas contradições e absurdos. O homem sábio consegue separar o joio do trigo. Quando lemos: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 19:18.) [41]. “Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êxodo 20.13-16.) [42]. Está claro que se trata da verdadeira lei de Deus. Repito: as contradições, os absurdos, os plágios foram invenções do homem, usando o nome de Deus. Hoje ainda vemos pessoas cometendo sujeiras usando o nome de Deus. Isso é costume antigo.

 

Há muitas outras coisas absurdas nessa lei. Veremos isso em outras mensagens. Por isso, Jesus teve que apresentar uma nova proposta de vida para as pessoas. O seu evangelho veio para nos libertar de todas as leis religiosas absurdas, separando a verdadeira lei de Deus da lei dos homens pecadores. Se aquela lei fosse boa, ela poderia continuar existindo. Você talvez tenha ficado escandalizado, chocado, ferido com o que disse sobre a lei de Moisés. Mais chocado e ferido ficaria se ainda estivesse debaixo dela. Graças a Deus que Jesus nos libertou de tudo isso.

 

Não podemos julgar Moisés por essas coisas. Não sei o que fez ele acreditar que devia agir dessa forma estranha. Entendemos que as circunstâncias sociais da época eram extremamente selvagem e talvez a gente no lugar dele teria feito coisa semelhante. Mas nada disso justifica o mal. A humanidade precisa mudar, consertar, e foi isso que teve que acontecer com a vinda de Jesus. Deus permitiu que Moisés e o seu povo agissem de forma estranha. Permitiu imitar o costume dos povos, construindo um tabernáculo, que mais tarde foi transformado em templo, criando um sacerdócio hereditário como era no Egito, realizando sacrifícios de animais e outras coisas carregadas de misticismo, muito comuns na Antiguidade. Mas agora ele nos mostra como podemos sair fora de todas as práticas religiosas absurdas.

 

A verdadeira lei de Deus. Os profetas criticaram as maldades dos hebreus e profetizaram: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ezequiel 36:27, RA.) [43]. “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Jeremias 31:33, RA.) [44]. Uma nova lei, não escrita no papel, mas escrita na mente e no coração por meio do Espírito em nosso interior. É assim que deveria ser. E Jesus Cristo veio fazer isso.

 

Reino de Deus

Evangelho de Jesus Cristo: pura lei de Deus sem a lei dos homens

Lei de Deus

Lei dos homens

 

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Descrição: Evangelho de Jesus Cristo sem a lei dos homens. Data: fevereiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

O evangelho de Cristo nos liberta da lei religiosa dos homens. Uma nação ou organização religiosa precisa de leis humanas, mas a igreja de Jesus não é um reino terreno como a nação de Israel e nem um sistema religioso, por isso não é controlada por nenhum código de leis humanas. Estamos debaixo da graça e podemos decidir tudo através do amor, da fé e do bom senso. A verdadeira lei e o verdadeiro reino de Deus estão dentro de nós, por meio do Espírito Santo. “Não vem o reino de Deus com visível aparência.’ Nem dirão: ‘Ei-lo aqui!’ Ou: ‘Lá está!’ Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lucas 17:20-21, RA.) [45].  Esse novo reino não é uma nação com leis cheias de erros humanos escritas em placas de pedra como era no princípio, mas um reino interior com a verdadeira lei perfeita de Deus escrita em nossos corações. Por isso Paulo disse: “Sim, é claro que vocês são uma carta escrita pelo próprio Cristo e entregue por nós. Ela não foi escrita com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; ela não está gravada em placas de pedra, mas em corações humanos.” (2 Coríntios 3:3, NTLH.) [46]. O Espírito de Deus nos guia nos mostrando toda verdade. “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (João 16.12-13, RA.) [47]. Não dependemos da letra, porque a verdadeira lei de Deus está dentro de nós. “Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.” (Romanos 7:6, RA.) [48]. “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.” (Gálatas 5:18, RA.) “E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.” (2 Coríntios 3.4-6, RA.) [49].

 

Os hebreus acreditavam que Deus deu a Moisés a suas leis para serem obedecidas. Mas com Jesus, a coisa foi diferente. “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (João 1.17, RC.) [50]. Ele disse que tinha vindo para cumprir a lei e fez uma nova interpretação dela.

 

·       A lei dizia para não matar, e ele disse que a pessoa não deve nem mesmo ficar irada, proferindo insultos.

·       A lei diz para não cometer adultério, e ele disse que a pessoa não deve nem desejar, cometendo adultério no coração.

·       A lei disse para não quebrar uma promessa, mas cumprir com o juramento. Mas ele disse pra não jurar de forma alguma, mas apenas dizer sim ou não.

·       Na lei era olho pó olho e dente por dente. Isso significava vingança. Mas ele disse para não se vingar dos que nos fazem mal.

·       A lei dizia para amar os amigos e odiar os inimigos. Mas ele disse para amar os inimigos e orar por eles. Devemos, pois, segundo ele, ser perfeitos em amor, assim como é perfeito o Pai que está nos céus. (Mateus 5.17-48.) [51].

 

Um mestre da lei perguntou para ele: “’Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.’” (Mateus 22.36-40, RA.) [52]. Paulo completou: “O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Romanos 13:10, RC.) [53]. Como vimos, a lei estava carregada de coisas contra o amor: mortes, guerras, raptos de mulheres, escravizações, preconceitos... Somente quem não ama pratica essas coisas. Então essa não era a lei de Deus. “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7:12, RA.) [54]. Por acaso alguém quer ser vítima de preconceitos, ser morto, escravizado e coisas parecidas. NÃO! Então se não queremos essas e outras coisas para nós então não devemos fazer o que não queremos com os outros. Essa não é a lei de Deus. É a lei falha de Moisés.

 

Lendo as palavras de Paulo na Epístola aos Gálatas, podemos ver que não precisamos mais de nenhuma lei religiosa humana. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gálatas 5:1, RA.) [55]. “Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens.” (1 Coríntios 7:23, RC.) [56].  “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” (Romanos 3:28, RA.) [57]. “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2:16, RC.) [58]. O escritor da Epístola aos Hebreus mostrou como o evangelho de Jesus está acima da lei de Moisés. Lendo todo o contexto das cartas aos Romanos, aos Gálatas e aos Hebreus, podemos perceber quão importante foi o evangelho libertador de Jesus em relação às leis religiosas humanas.

 

 

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Descrição: Evangelho de Jesus Cristo: pura lei de Deus. Data: fevereiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

Na lei mosaica, havia muitas coisas de Deus, mas tinha também muitas coisas do homem. Por isso ele foi deixada para trás. Não era perfeita. Se fosse obra completa de Deus, sem o dedo falho do homem, a lei daquela época ainda estaria prevalecendo. Ou você está pensando que Deus fez uma lei absurda, contraditória, preconceituosa e agora resolveu fazer algumas emendas? Não! Será que Deus era mal e agora se converteu? Não! O que aconteceu foi que Deus corrigiu com Jesus o que o homem atrapalhou. Jesus nos mostrou a verdadeira lei de Deus escrita em nossos corações por meio do Espírito Santo, transformando o nosso interior no verdadeiro reino de Deus. Tudo isso é muito maravilhoso. Os elementos humanos, sujos, contraditórios, sem amor e plagiados da lei de Moisés não nos interessa mais.

 

Alguém poderá dizer: se Jesus nos libertou da lei de Moisés, então posso matar, roubar, adulterar e outras coisas mais, afinal tudo isso está escrito nela, e ele nos liberou dela. Preste a atenção! Jesus nos libertou da lei falha do homem Moisés. A lei verdadeira de Deus que estava misturada nela, essa Jesus apoiou. Essa está gravada, não em pedras, pergaminhos ou papel, mas em nossos corações. Da lei do amor jamais poderemos nos afastar. Infelizmente, dessa verdadeira lei, Moisés, a maioria dos hebreus e boa parte da cristandade se afastou.

 

Jesus disse mais: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” (Mateus 5.17-18.) [59]. É claro que ele não estava falando da lei de Moisés, mas da verdadeira lei de Deus embaralhada na lei mosaica. Essa ele cumpriu e quer que nós façamos o mesmo. Dessa ele não deixou perder um i ou um til, e nós temos que fazer o mesmo. Mas quanto aos artigos sujos feitos pelo homem da lei mosaica usando o nome de Deus, esses ele não cumpriu e nos mostrou que podemos viver livres deles.

 

Igrejas institucionalizadas

Uma mistura de lei de Deus, lei de Moisés e novas leis de homens

Lei de Deus

Lei de Moisés

Novas leis de homens

 

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Descrição: igrejas institucionalizadas. Data: fevereiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Infelizmente, o evangelho libertador e puro de Jesus foi desprezado. Os locais de reunião foram sendo considerados como templos sagrados, como nas antigas religiões e assim, apareceram muitas regras. As reuniões tornaram-se solenes. Os líderes começaram a se vestir de forma diferente. Muitos dogmas foram sendo impostos em forma de mandamentos. E o cristianismo, que era simples e modesto, do ponto de vista material, tornou-se complicado, difícil e dispendioso, virando um grande sistema religioso. Elementos da lei de Moisés foram restabelecidos como: templos, sacerdotes, paramentos, altares, dízimo, etc. (Veremos isso com detalhes ao longo de outras mensagens.) Então vieram novas leis.

 

Direito canônico. Sob as influências dos códigos romanos e da lei de Moisés, os líderes, depois de se desviarem dos ensinos originais de Jesus, transformaram a igreja numa organização religiosa. Como qualquer organização precisa de leis, então eles foram obrigados a desenvolver um conjunto de leis próprias para controlarem os assuntos ligados à comunidade cristã que virara um complicado sistema religioso. O Código de Direito Canônico de 1983 possui 1752 cânones. Vamos ver como ele foi sendo construído.

 

·       Clemente I foi um dos bispos de Roma na virada do século I e início do século II. [60]. No século IV, surgiu a obra denominada de Constituições Apostólicas, falsamente atribuída a ele. [61], [62], [63]. Lá encontramos uma série de regulamentos para a igreja. [64].

 

·       Entre os séculos IV e V, foram realizados diversos concílios regionais juntos com os concílios ecumênicos de Nicéia (325), Constantinopla (381) e Calcedônia (451). [65]. As diversas decisões desses concílios se tornaram leis para a Igreja.

 

·       Ao longo dos séculos, várias coleções canônicas foram feitas em diversas regiões. [66].

 

·       A partir do século IX em diante, as diversas coleções foram sistematicamente organizadas. [67].

 

·       Em meados do século IX, surgiu uma coleção de leis com a inclusão de vários documentos papais falsificados. Ela prevaleceu até que alguns pesquisadores eruditos provaram a falsificação, dentre eles, podemos destacar o calvinista David Blondel. A igreja então acabou reconhecendo o erro, e hoje essa coleção é conhecida como Decretos do Pseudo-Isidoro. [68], [69], [70].

 

·       No século XII, o monge e jurista Graciano criou um documento do Direito Canônico, usando como fonte a Bíblia, as bulas papais, a patrística, cânones dos concílios e sínodos ecumênicos, nacionais e provinciais da Europa, África e do Oriente Médio. [71], [72]. Como podemos ver, foi um código carregado de coisas do homem.

 

·       No século XIII, em 1234, o papa Gregório IX promulgou o Liber Extra, que foi a primeira coleção oficial de cânones. [73].

 

·       No final do século XIII, em 1298, o papa Bonifácio VIII promulgou o Liber Sextus. [74].

 

·       No início do século XVI, em 1503, foi impresso e publicado o Gratiani Decretum (Decreto de Graciano). [75].

 

·       No início do século XX, em 1917, o papa Bento XV, publicou o Codex Iuris Canonici (Código de Direito Canônico). [76].

 

·       No final do século XX, em 1983, o papa João Paulo II publicou o novo Código de Direito Canônico com 1752 cânones. [77].

 

Tudo ficou muito bem organizado, uma verdadeira obra-prima. O problema é que as centenas de cânones não representam exatamente o evangelho de Jesus. Eles ajudam a melhorar a Igreja como organização, mas atrapalham a igreja como o organismo de Cristo.

 

Apesar da Reforma protestante, as diversas outras igrejas também foram criadas com seus estatutos, regras e preceitos, que na verdade não passam de leis religiosas. Todas são sistemas religiosos com leis próprias. E ainda por cima, continuam correndo atrás de leis do Antigo Testamento.

 

Reino de Deus

Uma igreja de pessoas de todas as tribos, línguas e nações regidas pela lei eterna do amor de Deus gravada em nossos corações, da qual nem um “i” deve ser tirado.

Lei de Deus

Lei de Moisés

Novas leis de homens

 

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Descrição: Libertos das leis religiosas dos homnes. Data: fevereiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Como podemos ver, diversos líderes do passado sempre se preocuparam em manter a ordem e a disciplina da humanidade. Para isso, foram criadas diversas leis morais, civis, sociais, comerciais e religiosas. Segundo esses diversos homens legisladores da Antiguidade, suas leis foram dadas pelos deuses. Dessa forma, eles conseguiram impor a obediência dos seus compatriotas. Mas Jesus trouxe uma nova visão do mundo, onde a verdadeira lei, baseada no amor e no bom senso, está dentro de nós por meio do Espírito de Deus. Voltemos ao evangelho puro. Vamos nos libertar das leis religiosas e escravizadoras dos homens.

 

Obs.: As nossas mensagens não são leis: são propostas para serem analisadas com bom senso e, dentro do livre-arbítrio, cada um deve decidir o que é importante para a sua vida. O que precisa ser feito está dentro de você. Nossas mensagens são apenas para ajudar.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br

 



[65] Direito Canônico. Enciclopédia Microsoft Encarta

[75] Direito Canônico. Enciclopédia Microsoft Encarta

[76] Direito Canônico. Enciclopédia Microsoft Encarta

[77] Direito Canônico. Enciclopédia Microsoft Encarta